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sábado, 10 de abril de 2010

O Arquiteto Divino



Há uma série de pessoas que são descrentes em relação ao criacionismo, mas acreditam que uma força metafísica deu início ao universo como o conhecemos hoje. Estas pessoas negam os textos religiosos para explicar o surgimento da vida, mas tão pouco acreditam que o nosso surgimento é meramente graças a um acidente cósmico.

A ideia é que exista ou existiu uma espécie de força maior que criou a matéria, seja por casualidade ou proposital, e dai por diante as coisas foram acontecendo conforme o próprio andamento do universo.

Embora seja uma teoria válida, utilizada por grandes nomes da filosofia, como Aristóteles ao afirmar o Primeiro Motor - que diferente de todas as outras coisas é causa de si mesmo, pensamento de pensamento, aquele que iniciou o tempo e o movimento, o chamado Ato Puro e Imóvel -, ela possui muitas implicações. O que abre um leque de reflexões imenso.

Para acreditarmos na teoria de um primeiro movimento que origina todos os outros precisaríamos adotar o único caminho que parece razoável: este primeiro movimento precisaria ser consciente de tal modo que permitisse dar origem a si mesmo. Se ele tem consciência, também precisa ter vontade própria para mover o "estado de vazio total" para o "estado de alguma coisa".

Além disto, esta força originadora precisaria migrar de um elemento transcendente para ser causa de um elemento material. Independente de como isto supostamente poderia ocorrer, o fato é que o elemento primário precisaria de vontade para ser causa de um elemento secundário. E a vontade implica em uma consciência ativa.

Se entendermos que o primeiro movimento ocorreu de forma consciente, algo pretendia mudar/criar alguma coisa. Ou seja, era uma consciência inteligente, assim podemos chamá-la de Arquiteto Divino, pois se trata de uma força que inicia o tempo de forma intencionada de que algo poderia acontecer dado o primeiro movimento.

Mas o papel do arquiteto não é modelar as coisas? Sim. Pressupondo que as coisas aconteceram como nesta reflexão, entendo que com o primeiro movimento inicia-se uma série de outros movimentos com causa em algum outro, que no espaço se encontram e dão origem e que passam a possibilitar a existência de novos fenômenos. Só o tempo sozinho não consegue se chocar consigo mesmo, então há de existir uma partícula física elemental que possam dar origem a outras coisas no espaço. Para existir esta partícula, é necessário que esta consciência primeira de alguma forma crie isto no tempo ou simultaneamente com o movimento primeiro. Novamente temos evidências de alguma inteligência com algum propósito (desde que os pressupostos colocados sejam aceitos).

Com estas partículas no tempo, temos possibilidades de acidentes cósmicos que podem originar uma série de efeitos que possuem uma causas particulares nos diferentes cenários. Deste modo temos algo desordenado e aleatório acontecendo de forma linear no infinito espaço e tempo. Há teorias que dizem que desta forma a vida poderia surgir, uma vez que se as combinações de causalidade são infinitas, em algum momento a complexa combinação que possibilita a vida teria que acontecer.

Porém nesta linha de pronto enfrento dois problemas para resolver:

1) Se a partir de um primeiro movimento considerarmos que o tempo e o espaço são infinitos então tudo já aconteceu, acontece e acontecerá no tempo por infinitas vezes. Isto implica numa teoria de absurdo desproposital, uma vez que a eterna repetição traria o fim e o nada, sendo que a partir deste nada o inicio aconteceria novamente a partir de um movimento primeiro - que já não pode ser primeiro por que ele já ocorreu infinitas vezes no passado e ocorrerão infinitas vezes no futuro. O próprio enunciado já apresenta um problema de referência circular da qual não há saída aparente. A solução seria substituir o conceito de movimento primeiro para um movimento orquestrado por uma inteligência maior que atua num modelo criacionista de tentativa e erro. Ainda assim haveria o problema do infinito para resolver, visto que em algum momento no tempo a criação atingiria a perfeição, mas mesmo assim fadada a um fim para dar lugar ao nada novamente. Por isto reitero que partir por este caminho é um tanto quanto dificultoso, visto que temos problemas insolúveis pela frente.

2) O mais provável é que em meio ao caos desordenado antes mesmo que houvesse um evento que possibilitasse a vida ocorreria uma lógica de desvio que aniquilaria infinitamente qualquer chance de estarmos vivos. Se numa via precisamos de uma combinação extremamente grandiosa, complexa e coincidente para gerar o universo como o conhecemos, na outra via nem precisamos de algo tão complexo assim para que a possibilidade de vida nunca pudesse acontecer. Antes que fosse processada a fórmula que dá origem a vida, seria processada uma fórmula que jamais permitiria que algo assim acontecesse no infinito, pois jamais conseguiria chegar lá. Uma das maneiras de resolver este problema seria pensar em um tempo que não fosse linear, pois o caos voltaria para trás e caminharia para frente até que o universo fosse ajustado como o conhecemos hoje. Mas isto também implica numa inteligência supranatural que permita decisões de quando o caos deve ir ou vir.

Como podemos acompanhar até agora através deste caminho, o caos acontece de uma maneira desordenada que não possibilita um acidente que possa causar algo que não seja algo proveniente do próprio caos. Isto implica em dizer que o caos gera ainda mais caos.

Se aceitarmos estas premissas, então podemos afirmar a existência de um arquiteto divino, pois além de impulsionar um movimento primeiro físico de um modo não físico, esta força também necessita ordenar o caos. Isto indica que temos fora do nível material uma consciência inteligente que dá ordem ao universo caótico que impulsionado pela mesma força que originou o início das coisas. Parece-me coerente e razoável pensar que a força de início e a força de ordenação representa uma única entidade justamente por que entendo que aqui há uma consciência primeira antes de qualquer coisa.

Neste caso, não temos uma dualidade, mas sim a primeira coisa que antecede a todas as outras e que, de fato, parece ter inteligência e vontade para iniciar e ordenar os eventos que levam a formação do universo. Então o caos mencionado anteriormente serve como matéria prima para a formação da natureza material, onde a combinação consciente permite a modelagem de sistemas complexos e arquiteturas que possibilitam a existência e habitação dos seres.

Portanto afirmar a crença que algo realmente teve ter iniciado o mundo implica que este algo teve consciência, inteligência e força para dar o primeiro movimento. Isto nos leva a concluir que neste caso esta tarefa só pode ser atribuída a uma entidade transcendente e superiora, imaterial - ainda que com propriedades de criar matéria. Esta entidade, este arquiteto divino, pode ser perfeitamente chamado de Deus, como é chamado por aqueles que creem nos textos sacros religiosos.

Só que afirmar a existência de um Deus nos traz mais uma série de outras reflexões e implicações como: qual é o propósito de sua criação? Este ser ainda está vivo? Qual é o seu real papel? Diante desta perspectiva, o que fazemos aqui?

Enfim, temos uma série de questões que não serão tratadas neste artigo por não fazer parte do escopo. A ideia é simplesmente discorrer sobre como a crença em qualquer coisa está intrinsecamente ligada a algo metafísico, como se acreditar fosse uma propriedade divina que carregamos em nosso interior. Ou seja, se você acredita que uma força exterior começou o mundo de alguma maneira você deve acreditar que um ser superior e inteligente começou tudo. Entretanto, como sempre afirmo, qualquer crença traz uma série de problemas existenciais que exigem a mais árdua reflexão. Até mesmo a crença de que tudo isto é uma mentira, pois em vias de possibilidade o infinito segue a nossa frente. Tudo pode ser verdadeiro, tudo pode ser falso. Inclusive uma outra teoria diz que todas as coisas sempre estiveram aí, no infinito, ou seja, nada foi criado, nem de uma maneira, nem de outra, visto que somente os seres vivos possuem corpos materiais que vivem e morrem, num ciclo constante. Mas isto também é assunto para outro artigo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Existe consenso no agnosticismo?



Este post é uma adaptação de uma troca de e-mails que tive sobre agnosticismo com uma leitora do blog. Como foi uma conversa produtiva, decidi compartilhar os pontos principais nesta caverna. 

De fato, você provavelmente não encontrará consenso absoluto entre os agnósticos a respeito do tema por diversos motivos, mas particularmente não acho isto ruim. Não há consenso por que não há uma teoria muito específica, tão pouco uma documentação concisa, mesmo por que utilizar a denotação "agnóstico" para definir uma posição religiosa é algo muito recente - o termo ganhou projeção somente a partir de 1860.

Sendo assim ainda há muita coisa para escrever a respeito, inclusive na identificação de agnósticos puros - se é que isto possa ser feito, uma vez que aqueles que se dizem agnósticos pendem para o ateísmo ou para a religiosidade, dificilmente se mantém neutros nesta questão.

Entretanto acredito que esta confusão nas diferentes leituras é algo bom e produtivo na teoria do conhecimento, pois abre discussões muito profundas, o que pode levar o próprio ser a explorar o seu íntimo num processo de autoconhecimento maravilhoso. E é deste autoconhecimento que provém diversas opiniões, cada qual com sua experiência exterior (no mundo) e interior (dentro de si). São pessoas diferentes, logo diferentes verdades.

O que faz com que o agnosticismo tenha diversas vertentes é que em momento algum ele preocupou-se em se tornar uma seita organizada, tão pouco uma religião ou crença. Ao contrário, esta posição evidencia a dúvida, que a partir de si nos leva a uma posição analítica e crítica em relação a própria existência. Afinal, será que é possível tomar um lado? É possível dizer se somos criaturas de uma entidade divina ou criação um acidente físico? Felizmente, isto não é possível. Assim como precisar qual é o momento que surge a consciência no ser humano. São questões sem respostas.

A meu ver, aceitar que há questões insolúveis é aceitar as nossas limitações perante o mundo. De fato, o homem não é maior que o universo, portanto deve aceitar a sua finitude. Para mim isto traz uma série de benefícios, pois a partir do momento que deixamos de tentar responder questões que não há respostas, deixamos de nos afligir e sofrer em demasia - uma vez que grande parte do sofrimento humano reside em tentar justificar a sua própria existência.

Uma vez li uma boa definição que separa os agnósticos dos demais:
O religioso tem fé que há uma entidade divina por trás do plano material.
O ateu tem fé que não há divindade por trás do plano.
O agnóstico simplesmente não tem fé.

O agnosticismo tem mais há ver com uma experiência de libertação do que com religião. Ao se desprender de assuntos improdutivos, nos preocupamos em aproveitar as coisas mais simples, onde com certeza reside a vida. Paralelamente, damos maior importância ao nosso papel perante o mundo, uma vez que nos sentimos inteiramente responsáveis por ele.

Todos estes desencontros se devem ao fato que o agnosticismo é algo proveniente de cada um. Ele não é uma teoria a ser seguida, não o encontraremos em templos e nem em manuais que ensinam como ser um bom agnóstico. O agnóstico não afirma ou nega, ele simples duvida e ignora, afinal mais importante do que teorizar a vida é vive-la intensamente.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Opinião Agnóstica: Ensino Religioso


No dia 26 de Agosto deste ano a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de decreto legislativo 1736/2009, que basicamente propõe a volta do ensino religioso, de modo facultativo, no período de formação fundamental (que compreende de 1ª à 4ª série do 1º grau – antigamente chamado de primário). Com isto, o projeto foi enviado para o Senado votar e, caso seja aprovado, pode ser que tenhamos esta disciplina na grade muito em breve.

Obviamente este evento gerou uma série de opiniões, algumas solidárias, outras envenenadas contra esta decisão, que em momento algum solicitou a opinião pública, sendo tomada apenas para preservar um acordo entre o governo e a Santa Sé – que representa a Igreja Católica.

Nem preciso dizer que o acordo fere a constituição, que nos dá direito a um Estado Laico (art. 19, I) e a proibição de distinção de indivíduos, dada razões ideológicas, crendices ou culto (art. 5, caput e art.19, III). Isto por si só já é motivo de sobra para os mais ferrenhos debates acerca do tema, afinal de um lado está a Igreja – neste caso uma ação proveniente do catolicismo – e do outro lado estão outras crendices que se unem a descrentes brasileiros.

Como minha opinião foi solicitada, visto que a pessoa não conhecia uma opinião agnóstica a respeito deste assunto, faço valer este texto para que possamos, de forma mais sintética, analisar o seguinte duelo (independente de crença, visto que a Igreja Católica publicamente declara que o ensino religioso não é pró-catolicismo, e sim a favor de um ensino baseado numa ou mais crenças): Religião x Liberdade.

Não é demais lembrar que esta opinião não é única e reflete apenas um dos ramos do que tal decisão implica. Outros textos são muito válidos e podem complementar a leitura, principalmente aqueles que analisam o corpo jurídico, os reais interesses da Igreja e toda a política em torno deste projeto de decreto legislativo.

Tentarei responder de forma satisfatória aquilo que foi questionado: agnóstico, você é contra ou você é a favor do ensino religioso? Esta questão engloba uma série de fatores e está carregada de sentimentos históricos, principalmente quando retomamos uma época onde a Igreja constituía o topo da influência política no mundo. Ainda assim precisamos de cuidado para sermos coerentes em nossa resposta e neutralizarmos os nossos pulsantes nervos que estão para estourar. É preciso conter o grito na garganta.

Depois de refletir por um período a minha resposta é: sim, eu sou a favor do retorno do ensino religioso. Antes que pensem que eu tenho uma tendência religiosa em minha veia agnóstica, irei explicar o porquê de minha decisão.

Meu argumento está intrinsecamente ligado com a questão moral do homem. De certa maneira não podemos negar que as massas convivem num período que podemos chamar de crise da moral, onde a alienação perante as coisas e o condicionamento perante as mídias, assim como o chamado dos objetos, que possuem identidade própria num universo hiper-real, nos passam uma enganosa impressão que somos ilimitados. Este argumento surge com outro que diz que podemos fazer o que bem entender.

Há um conceito antigo que desenvolvi chamado humandróide, que nada mais é do que este homem interligado a culturas cibernéticas e multimídias, onde milhões de informações são processadas de modo subumano, impossíveis de serem analisadas e digeridas, o que faz com que nos tornemos seres automáticos e pré-programados como andróides, dependentes, inclusive, de bens tecnológicos – os chamados gadgets.

Portanto, temos uma crise de moral, onde fazemos sem saber por que fazemos, apenas seguimos o sistema – que é autossustentável e perfeito em si mesmo. Aqui, tudo é permitido. A sociedade do “Admirável Mundo Novo” de Huxley já nem parece ser tão absurda assim. As gangues do “Laranja Mecânica” de Burgess já nem são tão fantasiosas. Cada dia parece que nos aproximamos mais desta sociedade robótica antes vista somente nos livros de ficção científica.

Dostoévski, em seu “Os Irmãos Karamázov”, já lançava a seguinte reflexão: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”. Ou seja, quanto mais nos distanciamos de princípios morais (neste caso podemos colocar Deus como uma entidade que representa um princípio de moral), mais estamos propícios a acreditar que podemos fazer o que bem entendemos de forma egoísta e egocêntrica.

É inegável que qualquer religião possui um código moral que visa direcionar os seus membros numa direção que propicia harmonia e bem-estar, mesmo que isto represente controle sobre o nosso modo de pensar e, consequentemente, de agir. E isto, em parte, resolve o problema da crise da moral e projeta, ainda que de modo sinuoso, uma perspectiva de vida social melhor que a atual.

Alguns deverão pensar que se atualmente vivemos num sistema condicionador, por que deveríamos trocar por outro sistema condicionador. Primeiro que não estamos tratando de uma mudança de sistema político e nem pretendemos colocar a igreja novamente no poder. O assunto está ligado exclusivamente à formação de crianças. Não necessariamente estas crianças serão devotas religiosas, mas certamente aprenderão valores básicos de convivência social (como respeito, fraternidade, amizade e perdão) através de um código moral baseado numa hipótese de mundo superior.

Nosso sistema de ensino já provou ser ineficiente para educar crianças, principalmente por que elas mesmas se encontram num período de influência modista. Já é consenso científico que a educação estrutural não vem de casa, e sim do ciclo de amigos, principalmente nesta fase elementar do aprendizado. Então é preciso que as escolas retomem uma disciplina moral, por mais que utilizem da autoridade de uma figura superiora que não pode ser provada (nem a existência e nem a inexistência), visto que ela parece ser mais temida do que homens armados.

Depois deste período fundamental, as crianças passam a formar raciocínios mais complexos e podem chegar à conclusão que Deus existe ou não existe, porém alguns valores já estarão lapidados e com certeza isto lhes ajudarão a serem pessoas melhores (independente de crença). Claro que, dê certa maneira, isto fere o direito de liberdade das pessoas, mas me digam, caros amigos, o que uma criança sabe de liberdade?

Será que é justo permitir que elas façam escolhas tão complexas em tão pouca idade? Se os pais souberem o que querem para seus filhos, basta que matriculem eles em escolas que defendam os seus interesses (uma vez que o projeto votado é facultativo), na religião que melhor lhes atenda – se é que estes pais desejam uma religião para os seus filhos. O que não podem é pensar que seus filhos merecem ser livres, pois a liberdade está mais para desgraça do que para um prêmio.

Pegue existencialistas, como Jean-Paul Sartre, e veja o que eles pensam sobre a liberdade. Só para resumir, assim como dizia o pensador espanhol Ortega-y-Gasset, infelizmente todos estamos condenados a fazer escolhas assim que nascemos. Mesmo que não fazemos nada optamos por isto. Fazer escolhas é um processo penoso, visto que cada esquina leva a uma rua diferente. Por isto mesmo o ser humano tem uma predisposição em deixar que os outros escolham por si, pois isto o isenta de muitas responsabilidades.

Hobbes, filósofo inglês, dizia que se o homem conquistasse sua tão almejada liberdade, não ficaria pedra sobre pedra, por isto era importante transferir o nosso poder de decisão para outra pessoa – neste caso o rei. Isto por que o homem não sabe o que fazer com a liberdade. Em vias de fatos, ninguém é livre e nenhum pensamento é livre de influência, visto que ele não se constrói do nada.

Então qual seria o grande mal em fornecermos uma educação religiosa para nossas crianças? Quando vejo opiniões adversas centradas na moral, vejo que a maioria está carregada de ódio e sentimentos negativos, porém, racionalmente falando, vislumbro que o resultado pode ser obtido. Todavia da forma como se encontra sabemos que o ensino não está bem. Nossas crianças cada vez mais são malvadas e desrespeitosas. Então qual seria o risco da mudança? Ferir uma ética fraca, um direito que não temos numa sociedade que não respeita os nossos pontos-de-vista?

Pois eu prefiro o risco da mudança a manter as coisas como estão. Certamente eu optaria por matricular os meus filhos numa escola religiosa ao invés de uma que ignore totalmente o assunto e deixam os alunos a sua própria mercê e concepção de mundo, criando uma verdadeira torre de babel.

Portanto eu, agnóstico, a favor de uma direção comum e social, sou solidário a uma disciplina de educação moral, e se a única opção for à religiosa, que seja, pois acredito que será melhor para o bem estar de uma sociedade moralmente consciente e respeitosa.

sábado, 25 de julho de 2009

O Cientificismo para o Agnóstico


Nos dias atuais temos a ciência como principal referência de conhecimento seguro em benefício dos seres vivos. Através de métodos ciêntificos, você testa, calcula, vislumbra, analisa e modifica uma série de novas descobertas que muitas vezes abrem um novo caminho para ser explorado.

De fato, graças a ciência o mundo proporciona mais conforto e uma espectativa de vida maior em relação aos nossos antepassados. O corpo humano vai sendo explorado e cada vez mais conhecemos como funciona as nossas funções vitais: aquilo que não trabalha bem a ciência passa a investigar para oferecer uma solução.

A ciência faz em seus laboratórios aquilo que muitas religiões gostariam de apresentar aos seus fieis: milagres palpáveis. A ciência realmente é belíssima quando trabalha próxima ao mundo terrestre ao nos oferecer uma série de regalias inéditas na história. O problema maior reside quando algumas pessoas tentam valer da ciência para tentar alcançar objetivos maiores do aqueles que ela propõe a se resolver.

A ciência por ela mesma está distante do mundo da crença, tanto é que uma série de teólogos foram cientístas brilhantes – como diversas vezes mencionados nesta série de artigos sobre agnosticismo – que contribuiram com grandes avanços para a humanidade no sentido físico do universo. Porém há uma série de ateus, não todos, que valem da ciência para tentar desbancar o conceito de Deus. Aqui eu retifico que há uma nova igreja: o cientificismo.

Para os devotos deste fundamentalismo exarcebado – perigoso como todos os demais fundamentalistas – eu tentarei fazer uma reflexão baseada em certas questões. Vamos com a primeira: qual o sentido de provar que Deus não existe?

Segundo os religiosos, Deus não se prova, apenas se sente. Ao utilizarmos da etimologia da afirmação, uma vez que Deus não se prova, Deus é improvável. Neste caso qualquer esforço que se faça diante desta afirmação é improdutivo, pois a única maneira de obter conhecimento de sua existência é através de fé e da própria experiência de vida de cada um – pois este é o meio que a divinidade transita.

Portanto não há sentido em provar que Deus não existe. Então qual seria a motivação de provar a inexistência? A religião não mais atrapalha o desenvolvimento da ciência, uma vez que com o surgimento dos países laícos, que são os grandes polos culturais do mundo, eles perderam toda a sua força. Então o discurso batido de “a igreja é inimiga da evolução” (no artigo anterior eu afirmei a minha descrença em relação à isto) não deve ser temido.

A única motivação que eu vejo, e que eu receio muito, tem origem maligna: apenas para tirarem a suposta “venda” dos olhos daqueles que acreditam num plano superior. Para que isto? Neste caso para quê forçar a pessoa a descrer em algo que para si é tão caro? O que acham que conseguiriam? Será que vocês esperam que com isto o povo passará a agradecê-los e considerá-los novos heróis? Ou seria apenas para sustentar o próprio ego? Um trunfo para a racionalidade?

Percebam que este tipo de ciência não é bem vinda, pois ela não é construtiva, somente destrutiva. Ela não pretende oferecer uma solução, apenas dizimar mitos. É niilista não-progressiva. A ciência caminha muito bem, independente da existência da igreja.

Esta espécie de ciência negra, uma vez que é motivada pelo ódio, não pode ser bem-vinda. Bem-vinda é aquela ciência positiva que trás reais avanços para a saúde e para o bem estar da humanidade.

Fora cientificismo! Bem-vindo ciência!

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Cristianismo para o Agnóstico

Poderíamos valer de qualquer religião para este artigo. Não obstante, a influência da crença em Cristo em nossos dias não pode ser ignorada. Mesmo hoje continuamos a ser criaturas influenciadas pelo cristianismo, seja por tradição de nossa família, seja por vestígios culturais, seja por maioria de votos. São tantas igrejas e tantas pessoas que demonstram a sua fé que eu sou tentado a escrever uma pequena dissertação sobre o meu olhar agnóstico frente à nossa sociedade cristã.

Temos dois objetos para conhecer melhor a religião de Jesus Cristo: um objeto de análise rico, grandioso e palpável - a história - e outro difícil, moralista e metafísico - a bíblia sagrada. O primeiro nos traz uma fonte extensa de informaçoes concretas, o segundo nos traz tantas informações abstratas que sem o uso da fé nos encontramos com um texto muito descontinuado e inconsistente.

Interpretar a história ao pé-da-letra é possível com clareza. Porém interpretar ditos de fé é uma tarefa árdua e necessita de muita contextualização. além de crença nas interpretações da palavra.

Como agnóstico confesso, não posso simplesmente mentir ou desmentir a inexistência dos fatos descritos neste livro, a não ser aqueles que a história desvela ao longo dos anos e que trás novas descobertas à respeito do tema, porém, por não conhecer profundamente este assunto, me baseio somente naquilo que li e conheço: Deus, ao meu ver, não fala com os homens. Isto não prova que ele não existe, porém como força não-material é impossível estabelecer um contato homem-divino ou divino-homem.

Portanto muitos acontecimentos bíblicos não poderiam ser verdadeiros, uma vez que Deus não é composto de matéria, como nós somos. Se ouvimos, falamos ou pensamos é consequência de um corpo material. Agora se você me perguntar de onde vem a consciência eu não saberei lhe responder, porém você também não saberá, pois não há nenhuma evidência à respeito disto. Se me disser que vem de Deus, eu voltarei ao assunto: Deus está além do nosso mundo e do nosso leque de conhecimento, portanto falar sobre isto seria apenas especular.

Porém a bíblia tem um papel fundamental para a humanidade: se trata de um manual precioso de como conviver bem em sociedade, através de muita harmonia, senso de justiça e senso de caridade. A bíblia não instiga a disputa, mas a eterna confraternização. A bíblia prega a doação e o perdão, além de ser um livro que estimula a agir em pró de um bem maior.

Enfim, a bíblia orienta o homem para fazer o bem. É um livro rico em ética e moral, que lhe ensina como agir em situações difíceis, muitas vezes com lições do próprio dia-a-dia. O livro sagrado insiste em fazer o bem mesmo quando nos vemos forçados a fazer o mal, além de unir pessoas em pró de uma mesma causa - que é uma causa de bem. 

Através das palavras escritas ali, somos doutrinados a sobreviver em situações drásticas, a suportar um universo de dor - mediante a própria existência - e a nos organizar em uma sociedade do bem. Este livro tem um poder raro de tocar o coração de pessoas más - como criminosos e charlatões - e fazer com o que seus adeptos aceitem a conversão do mau em bom.

Em vias de fato a bíblia é um material de grande valia. Graças à influência do pensamento cristão, que perpetuaram durante séculos e chegaram até os nossos dias, temos um mundo culto com centenas de novas descobertas. Portanto, vamos discutir um pouco sobre a história do cristianismo - o outro objeto deste post.

O cristianismo, antes de tudo, é uma revolução no modo de pensar e agir. É uma revolução cultural e científica, moral e ética, sem a qual não poderíamos sequer nos pensar nos dias atuais. Se os homens que iniciaram a perpetuação e dissiminação da ideia de Javé não tivessem persistido em suas jornadas, talvez não estaríamos aqui neste momento - embora devido a perca de referêncial isto jamais poderá ser afirmado (ver conceito de hiper-realidade). Portanto temos nesta religião uma nova etapa na organização social da humanidade, responsável pela evolução do mundo.

Indo na direção contrária ao discurso antirreligião, que diz que as crenças divinas são um atraso na evolução do universo, ouso dizer que o mundo só evoluiu enquanto os povos acreditaram em um deus. Antes do cristianismo, tivemos grandes civilizações construídas através de um discurso de fé, como o Antigo Egito, a Antiga Grécia e a Antiga Roma, três responsáveis por civilizar de forma atenuada uma grande parte do nosso planeta. Além do quê, a filosofia - mãe de todas as ciências - surgiu dentro do pensamento Grego, que ainda naquela época estava contaminado pelos deuses do Olimpo. Ou seja, a física, a lógica, o conceito de átomo, a aritmética e os números irracionais foram desenvolvidas por gregos que acreditavam em forças exteriores e ocultas, enquanto a geometria foi desenvolvida pelos antigos egípcios, com toda a tradição mística possível.

Quando falamos do cristianismo temos uma série de inventos tecnológicos em plena era medieval (aquela conhecida como idade das trevas, ou "a noite de mil anos", a qual dizem que nada de positivo foi construído no período): o relógio mecânico, a máquina de novelo, o guindaste, a serra hidráulica, a pólvora negra, o moinho de água, o timão, o canal com reclusas e portas, o tear, a bússola magnética e os óculos. Foram os cristões que também desenvolveram a imprensa, o ferro fundido e a química dos ácidos e das bases.

Na filosofia temos ninguém menos que Blaise Pascal, cujo raciocínio lógico é parte integrante de seu pensamento. Temos também René Descartes e Galileu Galilei - um cristão fervoroso. Isto só para citar alguns. Portanto o cristianismo é sim responsável por grande parte da evolução do mundo como ele é hoje.

O professor belga Léo Moulin - que me inspirou em certas partes deste artigo - levanta uma questão interessante: por que o desenvolvimento da humanidade ocorreu substancialmente somente em território cristão (ao longo da Europa)? Por que as Américas, antes das descobertas, e a África não se desenvolveram? Diferente dos cristões, que ganhavam força num discurso uniforme, os outros povos tinham uma infinidade de estilos e culturas que não permitiam a construção de uma sociedade unida e fortificada.

Através da bandeira cristã, novos continentes e novos países foram descobertos. Por isto mesmo que disse anteriormente que seria impossível imaginar um mundo hoje se não houvesse o cristianismo para sustentar o desenvolvimento.

Portanto, mesmo acreditando que exista falhas no texto bíblico, que boa parte dos versículos tenham sido escritos para controlar o homem e reconstruir a ética e a moral - sem nenhuma inspiração divina - e mesmo não acreditando no Deus-escrito-a-mão, não posso ser negligente e ignorar o fato que o cristianismo é o grande responsável pela tamanha evolução a qual o nosso mundo encontra-se hoje quando comparado ao mundo de 2000 anos atrás.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Por que Agnóstico, e não Ateu?


A partir do momento que o ateísmo busca responder aos mesmos problemas de origem extrasensorial através da razão ou da natureza, entendo que aqui também formamos uma religião. Além do quê, sistematicamente, ateus valem-se de argumentos semelhantes para responder à determinados assuntos, isto porque foi criado uma atitude ateista de se pensar e, portanto, uma espécie de estatuto de como negar á Deus. Neste caso, Richard Dawkins pode ser considerado uma espécie de pastor do ateísmo fudamentalista - !!! - (sendo que da mesma forma que ele crítica o cristianismo em seus livros, há livros que criticam toda a sua obra - e não são religiosos, mas professores de Oxford, por exemplo).

O ateísmo por padrão é um movimento materialista, visto que a matéria precede à todas as coisas (opinião, raciocínio e intelecto). Neste caso, a física precede a metafísica, o que nos leva a seguinte conclusão: o corpo precede a mente. Platão chegou a explorar este tema no diálogo Leis. A verdade é que não há como provar a sentença que diz que a matéria precede a consciência, e por isto o ateísmo cai no mesmo ciclo das religiões: provar algo que está para além do conhecimento.

Se o ateu admitir que a consciência precede a matéria teria que afirmar que há algo de metafísico e verdadeiro no mundo. Em vias de fato, é isto que muitos pensadores fizeram ao longo da história, a começar pelo próprio Platão e Aristóteles, que sugeriu um Primeiro Motor como causa inicial. Esta, talvez, seja a principal queixa de Berkeley: negar Deus em tudo, menos no princípio. Isto porque é praticamente impossível explicar o início de tudo.

Talvez iremos chegar no dia em que conseguiremos explicar o início da vida (a teoria do Big Bang é muito respeitada nos dias atuais), porém isto ainda não seria suficiente para provar a inexistência de Deus ou da vida pós-morte. Já há teólogos, inclusive, que valem da ciência para enaltecer ainda mais as qualidades divinas do Deus onipotente.

Além disto o ateísmo se vale de dois métodos para negar Deus: a razão e a ciência. O primeiro está em crise desde os escritos de Imannuel Kant, além do que a razão é traiçoeira e sempre insiste em nos enganar (faça uma simples divisão de dez por três e veja onde você chegará). O segundo está sempre em mutação e nunca nos trás verdades duradouras: ano após ano surgem conhecimentos mais seguros que negam os anteriores, e isto num ciclo sem fim (recomendo os livros de Thomas Kuhn à respeito da vunerabilidade das descobertas científicas). É comum que filósofos científicos digam que a cada nova descoberta uma falsidade seja substituida por outra um pouco menos falsa. Através de genealogia, observamos uma centena de exemplos que confirmam isto. Os próprios físicos obedecem à axiomas (postulados) inquestionáveis em suas investigações.

Uma vez Bertrand Russel, num ensaio conhecido como "Sou ateu ou sou agnóstico?", dizia justamente sobre a dificuldade de tomar um partido. O filósofo disse que ele realmente acreditava que não havia nenhum argumento que provasse a inexistência de Deus, porém ele também não poderia provar que os deuses de Homero (Zeus, Thor, Odin, entre outros) não existíssem também. Neste caso, o simples absurdo de não poder provar nada a respeito deste assunto já lhe traria uma inclinação ateísta, porém ele continua a se considerar agnóstico, visto que para ser ateu ele também precisaria valer apenas da imaginação.

Ainda assim, isto não prova que não há algo fora deste mundo, pois o universo que as religiões transitam é o metafísico, e isto está para além do escopo de qualquer ciência ou razão. De modo geral para os religiosos é mais fácil um acontecimento divino alterar o ponto de vista descrente do que o contrário, pois Deus, da forma que é pensado, poderá se revelar, visto que sua inexistência jamais poderá ser provada.

Ou seja, da mesma forma que a ciência espera, um dia, desbancar a crença em Deus, os religiosos esperam que, um dia, Deus apareça e converta os não-crentes.

Novamente entramos num ciclo sem fim de discussões sem fim. Como o ateismo não é conclusivo para explicar questões do além-mundo, permaneço agnóstico, e não ateu.

Por que Agnóstico, e não Religioso?


Se, ao disser que sou agnóstico, assumir que esta é minha religião, então que fique claro que a entidade máxima desta crença é a dúvida.

Se tiver que prestar culto para algo será para o ponto de interrogação, afinal me considero pequeno diante da imensidão do mundo para explicar ou mesmo entender tantas coisas complexas que temos ao nosso redor.

Neste caso, o que me resta é apenas aceitar a vida como ela se apresenta, com todos os seus mistérios indecifráveis. O homem, naturalmente, é um animal bastante curioso. Ele tem necessidade de conhecimento, graças à necessidade de controlar - que fatalmente lhe levará ao poder, que é a necessidade maior presente dentro de si.

Desta maneira, explicar é preciso. E a melhor forma de explicar alguma coisa é pelo começo. E nada melhor do que as religiões para trazer uma grande reflexão quando o assunto é o princípio da vida.

A religião resolve grande parte das questões existenciais que nos imperam. Através de figuras míticas, temos o esclarecimento para todas as dúvidas que perpetuam na metafísica. Neste caso, não é difícil participar de alguma, visto que elas servem como alimento para o nosso espírito faminto de conhecimento.

Quem adota uma religião está satisfeita com ela, independente de qual seja. Qualquer uma tem seu próprio estatuto, história, ética, moral e princípios, a qual absorvemos para dentro de nós. Porém quando decidimos fazer um exame mais minucioso destas crendices, iremos nos deparar com uma série de problemas para resolver (como problemas de continuidade, cronologia, conflitos éticos e contrariedades, além de problemas enfrentados por textos indecifráveis, fragmentados, mal traduzidos, ou mesmo perdidos).

Além do quesito principal: história. Quanto tempo uma religião perdura ao longo dos séculos e milênios? O que observamos é que conforme a humanidade envelhece, seus dogmas são substituidos gradativamente. Algumas crenças remendam o seu texto e o contextualizam com os dias atuais, o que significa uma grande perda de fidelidade do original, o que faz com que surjam ainda mais crenças, pois a difícil interpretação de boa parte das mensagens geram discórdias e pontos de divergência, o que faz com que muitas pessoas passem a seguir as religiões que mais lhes convém.

Quando esta religião não existe, é possível criar uma ou adaptar uma já existente para a nossa condição cultural e social. Hoje é o que vemos na prática com a segmentação das massas em diversos grupos sócio-econômicos, e daí por diante uma segmentação ainda maior (temos religiões específicas para um determinado tipo de grupo: temos divisões da igreja protestante, por exemplo, para os hippies e metaleiros e temos outra divisão para pessoas mais rígidas).

Ou seja, temos uma grande torre de babel cujo intuito não é trazer um caminho espiritual, mas alguns padrões de como conviver em harmonia socialmente. O problema é que como cada crença traz consigo seu próprio código de ética e moral, aquilo que foi pensado como correto é visto como motivos de contenda - basta rever as chamadas "Guerras Santas" ao longo da história, e que persistem até os dias atuais, principalmente na região do Oriente-Médio.

Além disto estas instituições vão de encontro com uma das prerrogativas bases para um mundo harmônico: a liberdade. As religiões, de modo geral, não toleram outras crendices que não sejam elas mesmas. Algumas, inclusives, chamam os membros de outras crenças de inimigos e incentivam no combate destes. Além disto trabalham ativamente no espírito humano ao querer estampar verdades inquestionáveis, ao invés da estimular a investigação de dúvidas, e muitas vezes abusam do bom senso dos homens.

Na prática, observamos este comportamento quando deixamos de escolher o que é o bem ou o mal para nós ao aceitarmos as premissas do que é bom ou ruim proveniente destas religiões, sendo que muitas vezes o que não é bom para a crença poderia ser bom para a pessoa e vice-versa (as vezes temos casos absurdos como a mutilação da genitália feminina, aceitação de gravidez proveniente de abuso sexual e mesmo crianças sendo enterradas vivas).

Acredito que Deus, se ele existir, não ficaria feliz de ver tantas pessoas agindo em seu nome de maneira tão mesquinha e arrogante, visando não a elevação da alma, mas somente a luxúria e conveniência dos próprios homens.

Por isto sou agnóstico, e não religioso. Pode ser que Deus exista, mas não pode ser este descritos nos livros sagrados, este pregado nas igrejas ou descrito por sábios antigos. Se Deus existir, ele deverá ser uma espécie composta de uma substância diferente da nossa, portanto isto explicaria a falta de evidências para comprová-lo, talvez seja por isto que ele não atue em nosso universo (por tratar-se de algo que não está no campo da ação).

Não sei. Entretanto fico com o meu não saber do que um saber que me trás dúvidas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Impenetrabilidade da Metafísica

Em linhas gerais o agnosticismo é visto como uma posição que pode indicar uma espécie de credo. Tanto é que em muitos cadastros que exigem a menção do campo "religião" para efeitos estatísticos encontramos o termo "agnóstico" para registrar uma crença. Porém aqueles que são um pouco mais entendidos no assunto sabem que ser agnóstico vai além do que sugere esta proposta e é, em vias de fato, uma atitude do pensamento filosófico com um núcleo de pensamento comum: que certas questões de cunho metafísico não podem ser resolvidos através do método científico.

Dentre estas questões temos algumas que são responsáveis por associar o agnosticismo como uma posição religiosa: Deus, o Infinito e o Absoluto. Dentre estes três conceitos o agnóstico acredita que tanto os esclarecimentos formulados pela ciência quanto os formulados pelas religiões podem ser igualmente verdadeiros ou falsos, portanto a melhor maneira seria não concluir algum raciocínio em relação à isto, visto que estes assuntos estão para além de nosso mundo, portanto para além de nosso conhecimento.

Neste contexto, ao tratarmos especificamente de Deus, ao questionar sua existência o agnóstico diz que há tantas possibilidades desta entidade superiora existir como há tantas outras de não existir. A chave para o entendimento do agnosticismo neste ponto é: existem evidências que provem a existência de Deus no mundo físico? Não. Porém, Deus pertence ao mundo metafísico. Neste caso pode a ciência provar que ele não existe? Também não, afinal qualquer assunto metafísico é impenetrável pela ciência.

Quem criou o termo foi o inglês Thomas Henry Huxley, biólogo evolucionista e principal defensor da Teoria da Evolução de Charles Darwin - outro que admitiu ser agnóstico em uma carta, que após participar de uma reunião em 1876 da chamada Sociedade Metafísica, chegou a conclusão que alguns problemas desta origem jamais seriam resolvidos, pois após a reunião grande parte dos participantes acreditavam ter alcançando uma certa "gnose" que lhes permitiam ter segurança o suficiente para resolver os problemas da existência, enquanto T. H. Huxley não havia sido convencido. Por isto, agóstico é uma palavra que serve de antítese para gnose.

Embora o pai da palavra tenha sido considerado T. H. Huxley, o conceito já havia sido demonstrado antes. Temos como exemplo Spencer, que em 1862, na primeira parte de sua obra Primeiros Princípios, dizia que a realidade ultima, aquela força misteriosa que é encontrada em todos os fenômenos naturais, era inacessível. O filósofo alemão Immanuel Kant também dizia que a coisa em si estava para além do conhecimento humano. Ou seja, há o conceito-limite.

Dentre as questões metafísicas insolúveis, para o alemão Du-Bois Reymond estariam as seguintes: origem da matéria, origem e surgimento da vida, origem do movimento, origem da sensibilidade e da consciência, origem do pensamento racional e da linguagem e a liberdade do querer). Percebam que estes problemas gerados pela metafísica não são relevantes para o desenvolvimento da ciência. Portanto elas não precisam se contradizerem ou duelarem, basta que religião e ciência cuidem cada uma de seus assuntos e não se encontrem.