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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sobre Mudanças Climáticas



Este post faz parte da iniciativa Blog Action Day 2009 onde neste ano o tema a ser discorrido é “Mudanças Climáticas” (Alterações Climáticas).

Sobre o tema, basta dizer que por Mudanças Climáticas entendemos como uma preocupação ambiental dada, principalmente, em consequencia da elevação da temperatura em nosso globo terrestre, seja por ações naturais externas ou derivadas da mudança comportamental e sociológica oriundas de um desenvolvimento econômico desigual e, conseqüente, hiperconsumo das massas.

Se por um lado existe um corrente que diz o aquecimento global é inevitável por fazer parte de um processo natural, do outro lado temos quem pense exatamente o contrário. De fato, num mundo regido pelo Deus-Dinheiro, o que mais vemos por aí são cientistas que trabalham para grandes indústrias com o único intuito de corroborar dentro da ciência estas atividades injustas para o desenvolvimento do meio ambiente – e para isto vale até mesmo divulgar relatórios falsos e pesquisas que pouco acrescentam à real dimensão do problema.

Neste contexto observem que há um duelo entre verdades e mentiras que colocam as massas em dúvida sobre o que acreditar. Se as verdades podem ser simuladas e distorcidas, assim como as mentiras possuem teor de verdade, eis que evidenciamos, uma vez mais, o universo hiper-real. O que é inegável, porém, é que convivemos dentro de um sistema onde o aparente dita os caminhos e onde as políticas de consumo são diretrizes máximas de uma sociedade de capital.

Independente da “crença” na origem das mudanças climáticas, que por única e exclusiva manobra da máquina não é um consenso científico, não precisa ser gênio e nem cientista para saber que o nosso estilo de vida é responsável por contribuir – e talvez numa larga proporção – com o aquecimento do planeta. Para isto basta nos valer da energia elétrica.

Toda a eletricidade provém de uma fonte térmica, e isto não necessita de conhecimento técnico nem científico, basta ver que todos os aparelhos que são ligados na tomada produzem calor, assim como os chuveiros elétricos. Além disto, nossos veículos emitem gases que aquecem a superfície do planeta. Tudo isto para desenvolver a economia a qualquer custo e oferecer-nos, a preços exorbitantes, um conforto que não tem razão em ser, a não ser o objetivo final, que é enriquecer monetariamente o sistema.

A pergunta que fica é: a quê custo? Os humanos condicionados pela máquina ignoram os problemas em pró de um universo tecnológico de hiperconsumo e as maravilhas produzidas por ele, sendo que os objetos que antigamente nem pairavam em nossa imaginação já estão disponíveis em nossa Disneylandia virtual. Neste caso, a vida reside neste paraíso ou fora dele?

O cerne básico da resposta é que todos aqueles que vão à qualquer parque de diversão estão lá com o único intuito de se distraírem do cotidiano. Sabem, entretanto, que a vida continua fora daquele espaço – essencialmente sabem que ali é um local de escape e bem-estar que age em contraposição ao sofrimento de viver em um sistema baseado em exploração de recursos (humanos ou naturais).

O que acontece quando a sua vida cotidiana começa a ter a propriedade de se tornar um parque de diversão? O ser humano, obviamente, pede por fazer parte disto. Isto inclui carros confortáveis, celulares hi-techs, televisores imensos, internet móvel e outros “bens” e apetrechos de distração. Nisto tudo a política, sob o discurso já batido de desenvolvimento econômico, ignora totalmente as ações prejudiciais a própria natureza, sendo que os recursos, visto que a terra não é infinita, deverão se esgotar, caso o processo continue nesta mesma batida.

Neste universo hiper-real, não temos certeza se realmente nossas atitudes tão inocentes poderão beneficiar a natureza, portanto não trocamos o nosso conforto pela longevidade do planeta, uma vez que inconscientemente somos egoístas para se preocupar com a existência após a nossa morte.

Esta conscientização é o grande problema a ser resolvido. Se as pessoas começarem a tomar conta que o poder está em suas mãos, elas podem reverter o quadro. Mas só que a luz não é para todos. Como dito na alegoria da caverna de Platão, ainda que alguns vejam a verdade, simplesmente a massa ignora os fatos, diante da alteração de seu cotidiano.

Sabemos que um grande malefício para as mudanças climáticas está na forma como passamos a usar o solo. A natureza não agüenta tanta agressão. Simplesmente criamos centenas de zonas urbanas apenas para melhor acomodar as pessoas, o que, de fato, não seria algo tão ruim, desde que fosse de forma planejada. Antes existia uma zona rural que foi substituída por zona urbana constituída por inúmeras casas, o que já representa uma mudança brusca no uso do solo. Porém hoje temos as casas substituídas por inúmeros prédios, o que traz problemas de estrutura e organização, além de novos problemas socioambientais, como acúmulo de lixos e concentração de veículos.

Minha visão pode ser pessimista, mas justamente por não depositar a minha fé no homem, acredito que as coisas só caminharão para um desfecho positivo após colocarmos tudo à beira do fim. Isto significa que só após a queda voltaremos a nos reerguer da forma correta. Isto provavelmente irá acontecer quando os recursos começarem a se esgotar de modo que as empresas comecem a perder dinheiro – e talvez seja tarde demais para tentar voltar atrás, porém este é o risco que eles assumiram por si mesmos.

Lógico que há uma série de entidades filantrópicas, ONGs e ativistas ambientais que lutam para que haja uma política forte que restrinja as empresas a fazerem o que bem entendem com os recursos naturais e uma fiscalização eficiente nas práticas ilícitas, assim como cumprimento das leis ambientais. Eles fazem um trabalho árduo e precisam ser apoiados.

Todavia, a ignorância do homem aliada ao autossustento do sistema construído pela máquina não me deixa muito otimista para que mudanças emergenciais – tão necessárias – sejam tomadas de imediato. Acredito, porém, que sempre haverá um belo de um discurso retórico que visem adotar medidas para o inalcançável amanhã.

Vamos aguardar a conferência das mudanças climáticas organizadas pelo ONU, em Copenhagen (Dinamarca), neste final do ano, e vamos ver o que acontece neste ano de 2010. Mas pelo sim ou pelo não o fato é que grande parte das medidas poderiam ser tomadas por nós, que em parte somos responsáveis pela situação como um todo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Castigo Verde: Você Tem o Que Merece

Na tarde do dia 17 de Março de 2009, participei como coadjuvante de mais um episódio caótico em São Paulo: fiquei ilhado após um tempestade torrencial que parecia não ter fim. Não foi a primeira vez, não foi a segunda e certamente não será a ultima.

Meu espírito rebelde não permite que eu simplesmente feche os olhos para a questão, pois o meu sentimento de vergonha e humilhação é maior do que a minha racionalidade. Outra vezes já comentamos neste blog sobre algumas atitudes simples que poderiam ajudar, e muito, a resolver uma boa parte dos pontos de alagamentos que se formam após alguns instantes de chuva forte em nossa região.

O problema é que ninguém lê este blog - ao menos, não com criticidade e com a proposta de refletir perante a questão. Claro que estou generalizando o ponto, porém a maioria prefere ler a coluna do futebol, da novela, da fofoca e do glamour.

A região do Grande ABC, a qual sou residente, ficou emerge debaixo de água e ainda assim a capa dos principais portais de internet estampam a morte de Clodovil Hernandes. O que esperar de um país assim? Enquanto estive preso nas quase 5 horas, num trajeto que normalmente levaria em torno de 25 minutos, em meio à escuridão de uma rua sem luz, escutei, indignado, na rádio Bandeirantes que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento oficial sobre a morte do comediante Clodovil.


Mas e a chuva, senhor presidente? Como é que fica a questão das enchentes? Por favor, me dê ao menos uma palavra! Nós só estávamos nas ruas porque tinhámos que trabalhar! Eu queria ficar em casa, pode acreditar, mas dependo dos 66% do que resta do meu salário para sobreviver - pois os outros 34% eu deixo com vocês para resolverem estes problemas sociais que vocês não resolvem! Ontem eu só queria ficar um tempinho a mais com a minha familia, antes de iniciar a minha sina novamente, mas não foi possível!

Ontem, senhor presidente, enquanto estava encurralado por uma centena de veículos parados nas ruas alagadas e escuras, fiquei com medo, pois um monte de vândalos estavam assaltando os motoristas que estavam parados logo ali ao meu lado! Então me dê uma palavra, senhor presidente, por favor! Diga que você vai dar um jeito nisto! Diga que irá ligar para o nosso governador de merda, o tal do José Serra, médico que não sabe nada de engenharia, e fale para ele consertar esta bagunça logo que nós, cidadãos, não aguentamos mais!

Não adianta investir somente em obras. Precisa haver um programa de conscientização ambiental de massa! Vamos usar esta porcaria da televisão para invadir os intervalos com propagandas de como cuidar do lixo, como evitar a utilização de sacolas plásticas, de quando ir ao mercado levar suas próprias sacolas, de como jogar o lixo para calote e afins.


Na segunda-feira a noite (16/03), nas ruas de São Caetano do Sul, uma das regiões mais afetadas no estrago do dia 17 de Março, observei uma série de lixo amontuado nas calçadas. Milhares de sacolinhas de plástico aguardando serem apanhadas para os caminhões de lixo. Se naquele interim um chuva bem superficial caísse, aquelas sacolinhas nadariam até o bueiro mais próximo, que ficaria entupido e água da chuva ficaria sem possibilidades de evasão, logo surgiria um ponto de alagamento.

De fato, estão surgindo pontos de alagamentos que eram desconhecidos de nós. Se antes apenas ruas que formassem uma espécie de concha ficavam alagadas - sem investimento de drenagem - hoje observamos avenidas planas como uma infinita piscina olímpica, afinal o lixo não deixa a água escorrer e surge um acúmulo inédito.


Lembro que uma vez eu estive falando sobre isto com uma pessoa e ela disse "mas eu uso mesmo a sacolinha, pois ela é prática e reaproveito para algum uso, senão o que irei fazer com ela? Se está tendo alagamento o problema não é nosso, é do governo a qual destinamos o dinheiro de nossos impostos!". Ou seja, você tem o que merece! Se você não se vê como parte do problema, então merece ficar ilhado e submerso!

Neste caso só posso desejar que o próximo castigo verde atinja aqueles que simplesmente dão as costas para o problema, não por vingança, mas para que abra os olhos da próxima vez que eles forem alertados!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Conclave Em Atlântida

O Dr. Glub II, peixe da mais alta patente, reconhecido em todos os oceanos - visto como autoridade mesmo nos cardumes menos conservadores - havia solicitado uma reunião de caráter emergencial com os principais líderes dos setes mares nas ruínas de Atlântida, a capital dos negócios marinhos ainda nos dias de hoje.

Todos haviam recebido e aceitado o convite. Naquele dia estavam presentes a Dona Olga, representante das algas, o ancião Tortugo, líder do clã das tartarugas, o seu Delfim, que falava pelos golfinhos, Lori, a belíssima sereia e o terrível Shrak, tubarão-mestre de combate de todas as criaturas do mar.

- Eu...Muita fome...Cadê...Peixe? - dizia Shrak, impacientemente.

- Cal’ma jo’vem vo'cê pre'cisa de ma’is pa'ciên’cia – dizia vagarosamente Tortugo – Foi ass’im que eu apre’endi a fi’car mais de 200 anos vi’vos até ho’je.

- Silêncio – interrompeu a voz estridente do Dr. Glub II – não há mais motivos para delongas! Vamos direto ao que interessa!

Lori já desconfiava. Entre as sereias havia o comentário de que os homens haviam interferido novamente na vida aquática, e desta vez havia sobrado para a família do Dr. Glub II.

- Todos sabem que os homens mataram mais de 30 de meus filhos devido à imundice que eles trazem ao nosso lar. Simplesmente despejam a sua sujeira como se ninguém fosse notar. Até agora ficamos quietos e não nos pronunciamos a respeito. Porém, na semana passada, meus 20 filhos mais velhos, mais a minha caçula, morreram asfixiados porque comeram um pedacinho deste treco...

Dr. Glub II cuspiu algo que boiava lentamente e que todos não conseguiam desviar o olhar.

- Vocês sabem o que é isto? Isto é plástico! A nova ameaça humana contra a soberania do oceano! É isto que fará com que cada um de vocês, de seus filhos e de seus netos sejam exterminados para sempre do fundo dos mares!

Enquanto disparava o seu discurso inflamado, Shrak, sem conseguir resistir, abocanhou a minúscula partícula deste plástico.

- Sua besta, você não entendeu o que eu disse? Isto pode nos matar! – berrou Dr. Glub II.

- Desculpe...Muita fome...Eu...Estou...

- Eu não sei quanto a vocês, mas para mim chega! Precisamos fazer alguma coisa!

- Mim...Ajudar...! Mim...Comer...Homens...!

- Vamos falar com os homenzinhos, pois eles são bonzinhos! Tratam tão bem os golfinhos e nós somos amiguinhos! - dizia o seu Delfim.

- Não! Com esta raça não tem diálogo! Precisamos resolver isto de outra maneira! – dizia o Dr. Glub II.

- Shimples! Vamos a falar com os árvoros! Basta, pois, que saia o plástico e entre o papér. Que vos acham? – dizia, pela primeira vez, Dona Olga.

- Eu...Gostar...Papel...! Saboroso...Muito...

- Ótima idéia! Todos de acordo? – disse o Dr. Glub II.

- Sim!

- Tortugo, você que pode andar tanto na terra como nas águas, poderia se encarregar de conversar com as árvores?

- Cl’aro q’ue s’im, co’mo nã’o?

Uma semana depois, todos os líderes se reuniram para ouvir o velho Tortugo.

- Pois bem, Tortugo, o que as árvores acharam?

- Primeir’amente eu lh’es expli’quei que era uma ques’tão de vida ou mor’te. Que todo o nosso des’tino estava deposi’tado no resultado daqu’ela reunião.

- Muito bem!

- Então ex’pliq’uei o quê os homens esta’vam faz’endo ultimamente. Ex’pliq’uei também o tal do plá’stico e as árv’ores ouvir’am com muita at’enção.

- Excelente! Vamos, prossiga um pouco mais rápido!

- Ca’lma, pois sou uma tar’tar’uga e a paciên’cia é uma vir’tude. Enfim, ap’ós terminar o rel’ato todas elas com’eçaram a gar’ga’lhar e me disser’am, “tu achas, Tortugo, que iremos morrer por vós?” no qu’e eu dis’se “Co’mo nã’o? Afi’nal ser’ão apenas algumas dú’zias de cent’enas’, enq’uanto nós sere’mos extintos! Estamos fala’ndo do homem! Recor’da-se do tratado que assinamos? Que todas as espé’cies contri’buiriam na luta contra o ho’mem?” – e elas assim me res’ponderam: “Digníssimo Tortugo, tu deixas de ser ingênuo! O socialismo está fora de moda! Eis que vivenciamos o capitalismo: é cada um por si”.

- Não posso acreditar! O que iremos fazer? – Questionava preocupado Dr. Glub II.

- Comer...Todos...Homens...Eu...Vou...

- Lori, querida Lori, agora é com você. Depositamos todas as nossas esperanças em você.

- Mas você sabe que se eu sair daqui... – dizia Lori.

- Sim, todos sabem. Mas agora é a hora. Precisamos de seu sacrifício. Você sabia que isto podia acontecer.

Naquela final de semana, houve uma festa em Atlântida que servia como despedida da bela sereia. Todos vieram com oferendas e com lágrimas no oceano viram Lori pela ultima vez.

À noite Lori nadou até um barco. Ela gritou por socorro e um homem pulou na água para ajudá-la. Lori o agarrou a força e o beijou. Transformou-se em mulher para todo o sempre.

Passado dois anos, Lori aparecia na televisão numa entrevista onde questionavam como ela chegou a ser uma das pessoas mais influente na luta contra o plástico. Ela dizia que o mar era sua casa e que não aguentava mais ver tanta sujeira sendo despejada nos oceanos. Dizia que os animais marinhos clamavam por ajuda e que era necessário uma revolução moral e constante ativismo na luta contra a poluição desenfreada.

Tudo estava claro: infiltrar-se no mundo dos homens para salvar o seu tão sofrido povo. Lori estava apenas começando. Que Atlântida pudesse novamente mostrar a sua beleza para o mundo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Vegetarianismo Contra o Hiperconsumo

Como já disse mais de uma vez neste blog, tenho consciência de que certas atitudes ambientais são uma maneira de resgatar uma forma social de educação que se perdeu em algum momento desde o início da era do hiperconsumo. Enquanto a maioria dos ambientalistas defendem estes movimentos como uma maneira de salvar a natureza - o que é verdadeiro - eu faço propaganda a favor destas ações para combater o exagero, o desperdício, o consumo extra-essencial e, consequentemente, a máquina. Foi assim quando eu resolvi escrever uma série de artigos contra o uso de sacolinhas de plástico e a favor da utilização de sacolas retornáveis: antes de ser uma questão meramente ecológica, é uma questão de bom-senso contra um consumo sem sentido e nem razão de ser, afinal, porque todas as vezes que você volta de um supermercado para casa você precisa trazer mais 50 sacolas contigo? Aproveite as que você tem em casa!

Enfim, desta vez chegou a hora de eu escrever de uma outra ferramenta para combater o hiperconsumo: o vegetarianismo. Neste post, pertencente a um parceiro na luta contra o pensamento fabricado, você encontra diversas informações interessantes sobre o vegetarianismo como uma arma para mudar o mundo.

O vegetarianismo cada vez mais parece estar na moda. A grande razão para a adoção desta cultura, que já vem de longa data e dos mais diversos grupos (desde religiosos ortodoxos até anarquistas), é o discurso de uma alimentação mais saudável, uma maneira de protestar contra o abuso contra animais - principalmente os bovinos - e contribuir com um mundo mais sustentável.

Porém, o vegetarianismo, ao meu ver, tem uma importância grandiosa na batalha contra um consumo desenfreado, tão característico em nossa época. Quem é vegetariano come menos, gasta menos e vive melhor, justamente porque não é adepto do exagero. A carne, principalmente a vermelha, atua diretamente em seu cérebro numa área responsável pelo prazer. Ou seja, é muito prazeroso comer carne vermelha. Não há como negar que o sabor é delicioso e que resistir a uma boa churrascaria é missão para poucos.

Sabendo disto, a máquina entra em ação: a carne se torna um alimento sacro. Desta forma condiciona toda uma célula - principalmente no Brasil, que é um país de cultura agropecuária - a consumir carne no seu dia-a-dia. Antes o que era conhecido como arroz-com-feijão agora é conhecido como arroz-com-feijão-e-carne - este sim é um típico prato brasileiro. A carne entrou num processo de hiperconsumo, basta visitar a geladeira de qualquer família em nosso país. Não há mais como viver sem o consumo de carne. Não ter carne nas panelas é visto como um sinal de quê "alguma coisa está faltando", ou de miséria (e este sentimento está enraizado dentro de nós). É o artifício da hiper-realidade: algo está para além do que realmente é, pois desde quando a falta de carne numa residência ou num prato quer dizer alguma coisa?

Com a massa sobre controle, a máquina faz uma jogada de mestre: no preço destes alimentos "essenciais" há uma hipervalorização e todos pagam sem consciência por ela. É comum reclamarmos que um quilo de carne está custando absurdos e ainda assim continuarmos comprando como se não houvesse outras alternativas para alimentação. Neste contexto, estamos escravizados pela máquina. É a perca de identidade do homem com o real. Ele não caminha livremente, mas é guiado por entre veredas obscuras.

O vegetarianismo é a alternativa para escapar deste condicionamento alimentar. Talvez não seja necessário interromper abruptamente a sua dieta, porém reduzir o consumo já é um grande golpe contra o hiperconsumo: além de gastar menos, você estará num processo de reeducação que lhe ajudará nas questões de saúde. O que não dá é para ficar participando de churrascadas sem fim. O churrasco NUNCA deverá ser o atrativo para reunir amigos e famílias, pois sendo a maior parte das pessoas condicionadas, elas irão apenas para comer, sem se importar com a ocasião. Neste caso, é melhor que estas pessoas nem mesmo apareçam.

O grande problema é que a máquina, com toda a sua sabedoria, entendeu que o público vegetariano é um público em ascensão. Neste contexto, ela precisa aumentar o preço da carne (para não perder o seu capital de giro neste segmento) e, como se não pudesse ter coisa pior, aumenta o preço dos vegetais, que é a alternativa de consumo proposta pela célula que combate o excesso a favor da natureza. Ou seja, os vegetais (que ainda assim estão com preços mais acessíveis do que a carne) estão subindo de valor devido a oferta e procura, como estratégia de controle da máquina. Quando um pequeno grupo conseguiu romper com as grades a qual fomos todos condenados, eis que a máquina aparece e trancafia todos os fugitivos em uma outra cela.

Mas por mais que a coisa toda pareça muito ruim, desta desgraça pode surgir algo de bom. Escreverei sobre isto num post que publicarei muito em breve.

domingo, 9 de março de 2008

É Dia de Feira!

Hoje é dia de feira! Todas as vezes que eu preciso ir até a feira sinto um frênesi percorrendo no intímo de meu ser. Vocês já conseguiram sentir a magia que vaga livremente pelos arredores deste local? Quanta beleza há entre as barracas dos feirantes! Perceba quantas lições podem ser retiradas através do gingado entre consumidores e vendedores.

Logo na entrada encontramos de imediato as barracas de pastéis, de caldo-de-cana e água de côco. E não adianta tentar imitar, pastel de feira só na feira, e ponto!

Mais para frente estão os vendedores de bugigangas. Todos os consumidores percorrem a feira com sacolas de nylon - eita gente educada - e eu também quero estar na moda!

Então me aproximo de uma destas barracas e pergunto: "Quanto custa esta sacola?" e logo ele me responde "R$ 1,50 pra levar!". Pego dez sacolas pensando em deixar cinco no carro e cinco em casa.

Quando saio da parte das bugigangas e entro nas barracas de frutas surge um moço andando entre a multidão e anunciando: "Olha a Sacola de Nylon, R$ 1,00!". Pronto! Minha primeira compra e já me dei mal, isto que dá não saber negociar.

Nas barracas de frutas, eu experimento de tudo. As frutas são belas, bem cuidadas, e o preço é muito bom, comparando com os grandes supermercados e sacolões. Quando tenho alguma dúvida, pergunto para o vendedor: "Esta banana está boa para o consumo?" ele me responde "Só para terça-feira! Para consumir agora tem que ser esta aqui!" questiono "Mas não estraga logo não?" e, como um excelente profissional, ele diz "Se deixar embrulhada no jornal dura até quinta-feira!". Vá perguntar estas coisas no supermercado! A primeira coisa que lemos é: "Por favor, não deguste as frutas". Podia jurar que uma vez eu li "Por favor, não toque nas frutas". Quanto absurdo!

No fundo da feira, se encontra os feirantes de verduras. Existe um preço padrão descrito num papelão preso com prendedor em cima de um varal de roupas extendido sobre as verduras, porém tudo pode ser negociado na hora: "Quanto está este saco de legumes sortidos?" "É dois por R$ 5,00, meu jovem" "Pago três por R$ 4,00" "R$ 4,50 e já pode colocar na sacola." "Fechado!"

Enfim, o tratamento que você recebe na feira, a variedade, a qualidade dos produtos, o preço e a aproximidade que se dá com o ser humano, tão distante e tão vazia nos grandes centros, fazem da feira um espetáculo que não devemos deixar morrer.
Ir a feira também é combater a máquina. É equilibrar a balança e fazer justiça. Enquanto a maioria, principalmente os casais mais jovens, continuam comprando frutas e verduras em grandes mercados e enriquecendo ainda mais uma parcela específica da sociedade, os feirantes são pessoas como eu e você e que necessitam dos rendimentos da feira para poder sobreviver.

Não deixe de ir a feira! Além de consumir produtos de primeira qualidade, você estará contribuindo com o desemprego, além de se divertir bastante!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Papo Verde - Conscientização

O texto abaixo se refere à uma troca de e-mails com um amigo que comprou a causa por um mundo melhor, e, assim como eu, está na batalha por um mundo sem sacolinhas plásticas.

06/03/2008 - 09:11h

Não sei se você sabe, mas eu contribuo, já há algum tempo, com alguns dos projetos desenvolvidos pela S.O.S Mata Atlântica. Ontem recebi um edital que dava conta de um projeto em parceria com o grupo Pão de Açucar, que visa promover o uso de sacolas retornáveis. Coincidentemente, hoje pela manhã ouvi uma entrevista da gerente de sustentabilidade do grupo, dada à rádio CBN.

Segundo ela, as sacolas estão à venda por R$ 3,99 e são estampadas com imagens de animais ameaçados de extinção (como o lobo-guará e o mico-leão dourado). Dá pra comprar pelo site também, mas lá o preço é mais caro que o sugerido pela entrevistada. Veja só. Faz uns dias que não entro num Pão de Açucar, então confesso que ainda não vi a tal sacola.

O interessante é que, desde meados do ano passado, venho acompanhando diversas discussões (principalmente no Orkut e Yahoo! Respostas) sobre sustentabilidade. Muitas pessoas já falavam sobre o uso de sacolas retornáveis, mas ainda não tinha notado uma movimentação tão grande como a que vejo hoje. Principalmente por parte das empresas que "obrigam" o consumo desse tipo de material.

Talvez por isso, no final do ano passado houve um grande alarde por parte dos fabricantes (com notas em jornais e tudo mais) sobre a eficácia e importância do plástico no nosso dia-a-dia. Lembro-me até que eles se propuseram a (sic!) melhorar a qualidade do plástico fabricado, tornando-o mais resistente. Como prêmio, poderiam estimular ainda mais o uso de sacolas de plástico.

Enfim, você acha que tudo isso pode ter um fim sem que um decreto de lei proiba de vez o uso de sacolas de plástico em supermercados? Se sim, não acha que seria interessante criar um movimento para que pessoas comuns (como você e eu) entrem em contato com os políticos que receberam nossos votos de confiança? Eu acho uma idéia válida, já que a conscientização do povo está a caminho.

Fernando Botelho de Almeida


06/03/2008 11:30h

Muito bom!

Enfim, não sabia sobre sua participação no SOS Mata Atlântica. Mas vamos direto ao assunto.

Fato: o Pão-de-Açucar está perto de se tornar a rede de supermercados ecologicamente correta e não é somente por vender sacolas retornáveis (algo que já acontece faz algum tempo), mas porque eles estão conscientizando seus consumidores da importância de ser ecologicamente correto. Não sei se você já viu, mas lá eles tem um negócio chamado "Caixa Verde". Lá, você passa as suas compras e, no próprio caixa, retira as embalagens e leva somente o produto. Ex. Se você comprar uma caixa de Sucrilhos, eles retiram a caixa de papelão e você leva somente o saco contendo os cereais. Este papelão vai direto para reciclagem!
Uma super idéia!

Creio que esta conscientização que vem acontecendo desde o final do ano passado se dá por alguns motivos:
1) nunca vimos enxentes tão bravas, em âmbito nacional, nos ultimos tempos. E isto se deve, principalmente, a enorme quantidade de lixo, sendo que a maioria esmagadora se dá através do plástico. As bocas de boeiro não conseguem resistir mais tanto lixo. Isto está tão claro que só não vê quem não quer;
2) usar sacolas retornáveis já é moda nos países mais desenvolvidos, sendo assim esta tendência chegaria aqui logo logo;
3) é moda ser ecologicamente correto (e a moda tem o efeito te atingir até mesmo aqueles que nem fazem questão de contribuir com o mundo).

O Pão-de-Açucar só não é perfeito justamente porque não aboliu de vez as sacolinhas de plástico, mas isto deve acontecer num futuro não muito distante, visto a visibilidade que eles estão adquirindo com estes projetos ecologicos.

O único problema é que as empresas enxergaram um mercado onde eles poderão ganhar muito dinheiro, e estão vendendo este tipo de material a um preço absurdo, com diversas estampas elaboradas. R$ 4,00 ainda é um preço caro. No site é ainda mais caro. No Wal-Mart elas estão disponíveis por R$ 29,00 !!! Nos postos Ipiranga, dentro do AM/PM, as mesmas tem o preço único de R$ 6,00. E todas estas resistem, no máximo, 20 quilos. Na feira, uma sacola de nylon que suporta 50 quilos custa R$ 1,00 (eu comprei 20 destas). Porém, infelizmente, acho que este é o preço que teremos que pagar para que a moda se expanda.

Quanto às tendências lançadas no mundo ecológico, a próxima que deverá chegar aqui em breve é o consumo de água direto da torneira. É praticamente consenso entre todos os ativistas que a água não deve ser comprada jamais. Além disto, ninguém consegue entender esta nossa escolha pela água mineral e a "torneiral". Antigamente, bastava um filtro para resolver todos os problemas de confiança em relação às impurezas da água. Quando tinhámos sede, costumávamos parar num bar e pedir um copo d'água, que vinha diretamente da torneira. Hoje compramos copinhos (para variar) de plástico, ou garrafinhas.

Pesquise a respeito, o negócio já está acontecendo na Europa. Em muitos restaurantes europeus, já é moda pedir um copo de água "torneiral".

Perceba que tanto a medida de conscientização das sacolas de plástico, quanto da água "torneiral" são atitudes que atinge grandes massas, possibilitando que todos contribuam. Além disto qualquer um, independente de classe social e racial, poderá estar na moda! A estratégia é perfeita!

Ainda que eu não seja aderente à muitas correntes ambientais, perceba que todas estas são atitudes para combater o hiperconsumismo. Assim que a sociedade do consumo for destruída, acredito que poderemos viver em paz e em harmonia, visto que seremos pessoas mais educadas, assim como eram nossos avós e, até mesmo, os nossos pais. Lembra que uma vez eu lhe disse que precisamos dar um passo para trás para recuperar a moral que nos foi perdida? Que em algum momento entramos em ruptura, deixamos de evoluir, e que agora precisamos andar para trás, corrigir nossas falhas, para continuarmos a evoluir? Era disto que eu estava falando... De recuperarmos valores a atitudes antigas... O que estes ambientalistas estão falando é simplesmente para retomarmos costumes antigos, pois o hiperconsumismo é responsável pela devastação do planeta, assim como da alma... É aí que entra a minha relação entre filosofia e ecologismo.

Quanto a este movimento ele é válido, porém tenho boas notícias! A prefeitura de São Paulo já tem um projeto superlegal, bem desenvolvido, porém com pouca participação da sociedade, chamado "Eu não sou de Plástico" (veja mais em http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/naosoudeplastico/). Diversas empresas participam deste projeto - claro, com interesse em lucrar - e é uma iniciativa brilhante. O que precisa é de mais pessoas que acompanhem de perto este movimento e que cobrem atitudes mais explicitas, ou seja, sugiro que você entre em contato com estes caras e peça mais informações de como participar. O importante é que, em época de eleições, poderemos observar qual é o cuidado com que cada canditado considera a questão ambiental. Geralmente, os caras que dão mais importância são os mais politizados, pois não é neste ponto que eles ganharão as eleições, porém estes são os que estão com mais vontade de mudar o mundo.

Evandro Venancio

quinta-feira, 6 de março de 2008

O Dia Em Que Eu Quase Me Trai

Nesta minha batalha pessoal contra as sacolinhas de plástico muitas vezes é preciso saber improvisar.

Há cerca de 15 dias, fui até o supermercado realizar as compras necessárias para reabastecer o estoque de casa por cerca de 30 dias.

Quando fui abrir o porta-malas do carro para pegar as sacolas de nylon que eu sempre carrego comigo para estas ocasiões me deparei com o vázio absoluto! Sim, caros amigos, as sacolas não estavam lá!

Devido a uma falha no hipocampo, ou na amígdala, ou no córtex entorrinal ou giro para-hipocampal (e quem sabe até mesmo no neocórtex parietal e temporal), enfim, em alguma região responsável pela memória de curto prazo, acabei esquecendo as sacolas de que tanto me orgulho em casa.

Enfim, o que fazer? Será que iria quebrar a regra e utilizaria as malditas sacolinhas de plástico, afirmando ao meu consciente que esta seria a ultima vez?
Não poderia fazer isto. Meu cérebro é folgado e iria sempre me esquecer das sacolas de nylon, além de me seduzir com a mesma desculpa.

Então eu deveria retornar a minha casa? Seria uma alternativa, mas já perdi tanto tempo para chegar no supermercado e conseguir uma vaga. Enfim, precisava tomar uma atitude ecológica.

Selei um pacto provisório com as sacolinhas de plástico: utilizei as cuidadosamente para transportar as compras e, no dia seguinte, devolvi todas elas para o supermercado (ainda que o caixa tenha me achado um tanto esquisito, visto que tão estranha deve ser esta atitude perante os seus olhos)!

Pronto, minha consciência está limpa e não precisei deixar de comprar apenas para manter o meu compromisso em relação à natureza. E fica o meu conselho: quando, em ultima instância, você tiver a necessidade de utilizar a maldita sacolinha, não hesite, porém devolva!

O meio ambiente agradece! As pessoas que sofrem com as enxentes também!

terça-feira, 4 de março de 2008

Cadinna - Lojas Americanas

O Cadinna (sigla para CAdastro dos INimigos da NAtureza) é uma lista criada por mim para incluir as más experiências que eu tenho em relação à algumas empresas quanto ao mal uso do plástico.

Para iniciarmos a nossa lista (e espero que mais nenhum nome seja incluso tão cedo) contarei um episódio de total desrespeito à natureza por parte da empresa Lojas Americanas, sendo mais específico se trata de uma loja presente na R. Marechal Deodoro, em frente à Praça Lauro Gomes, no centro de São Bernardo do Campo.

Estava caminhando por aquelas bandas, quando decidi entrar nesta loja para comprar algo para beber. Me dirigi até o refrigerador e peguei uma lata de Ice Tea. Ao passar no caixa o atendente me questionou se eu iria tomar de imediato ou iria levar "para viagem". Respondi que abriria a lata tão logo efetuasse o pagamento. Sem falar nada, ele pegou a lata, cobrou o devido valor, registrou a venda, e colocou o Ice Tea dentro da sacolinha de plástico mais inútil que eu já vi na minha vida! Além do material sem vergonha, não tinha alça e o seu tamanho era suficiente apenas para cobrir a lata.

Logo tomei a atitude de dizer: "Obrigado porém, como lhe disse, irei tomar agora e não preciso deste saquinho." e o atendente friamente me disse "Lá fora o senhor tira, porém é preciso que a mercadoria esteja na sacolinha da empresa para voce poder sair da loja, senão os seguranças te barram". Repliquei: "Mas eu estou com a nota da compra!", entretanto ele disse: "São apenas normas, senhor". Pedi então para cancelar a venda, mas fui informado que não seria possível, pois já havia sido registrada.

Certo de meus direitos, sabia que se fosse adiante poderia devolver a bebida, porém resolvi fazer diferente. Contrariado, sai da loja com a lata de Ice Tea revestida pelo saquinho de plástico. Tomei a bebida e coloquei este saquinho dentro de uma gaveta que tenho em casa com outras sacolas plásticas que jamais serão utilizadas por mim.

Depois resolvo sentar em frente ao meu PC e escrever este artigo, onde gostaria de congratular à Lojas Americanas por ser a primeira a encabeçar a lista dos Inimigos da Natureza.

Lojas Americanas, seja bem-vinda ao Cadinna! Eu prometo que jamais irei comprar novamente com vocês enquanto não deixarem as sacolinhas plásticas de lado!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Eu não uso sacolinhas de plástico!

Caros amigos, todos aqueles que freqüentam este blog, assim como as pessoas que me conhecem, sabem que eu não sou adepto do ambientalismo e do ecologismo justamente por divergências de opinião em certos assuntos, o que não quer dizer que eu não me preocupo com a sustentabilidade do planeta.

É fato que os recursos naturais estão sendo esgotados, assim como estamos poluindo cada vez mais, o que não podemos fazer, e esta é a minha maior preocupação, é tirar a responsabilidade da indústria e do governo e assumirmos exclusivamente a culpa.

Visto que não existe uma preocupação imediata com o consumo dos recursos por parte da indústria, além dos acordos do tipo "eu pago e você finge que não sabe de nada" que são realizados entre os mesmos e o governo, é necessário combater este setor da forma que podemos: diminuindo o consumo.

Depois dos benefícios conquistados pela Revolução da Informação, houve um buraco negro deixado pela mesma que, ao invés de pularmos por cima dele, pulamos diretamente para dentro: o excesso. Daí nasceu a Sociedade do Consumo, também conhecido como hiper-consumismo. Do hiper-consumismo chegamos ao hiper-realismo - conhecido outras vezes como multi-universo, onde quem rege é o mundo das aparências e da sedução - onde nada parece impossível, e onde somos iludidos pela sensação de que somos ilimitados.

E então é criada uma outra realidade como máscara daquilo que é o verdadeiro real que diz: não se preocupe, os nossos atos não têm relevância sobre fatores externos. Perceba que é assim que age a sua consciência quase sempre, principalmente quando você tem ciência de que cometeu uma infração e tem que justificar a si mesmo que o seu delito não irá acrescentar e nem dimunuir o mal no mundo.

Por acaso você tem ciência de quais são os produtos que você consome no dia-a-dia que são fontes renováveis ou não-renováveis? Nem sempre, mas alguns são fáceis de identificar, por exemplo, derivados do petróleo são fontes não-renováveis, ou seja, você consome e não devolve para a natureza. Consumir este tipo de produto é contribuir para a insustentabilidade do planeta. Por isto mesmo, prefira a utilização do alcool ao invés da gasolina. Também seja solidário à carona: menos emissão de poluentes na atmosfera. E também não use sacolinhas de plástico ao fazer as suas compras.

Como assim não utilize as "inofensivas" sacolinhas de plásticos?

Cerca de 18% do lixo de São Paulo é representado pelo plástico. O plástico é produzido a partir de fontes não-renováveis de energia, como o petróleo, e leva cerca de 200 anos para se biodegradar. Isto mesmo, caro amigo, aquela sacolinha do Wal-Mart só irá se decompar na 3º geração após você gravar o seu nome na lápide.

E também não vale a pena se iludir com as sacolinhas oxi-biodegradáveis, conhecidas como "ecologicamente corretas", justamente por que em têse se biodegradam entre 12 e 24 meses, porém na prática a matéria-prima continua sendo o petróleo e para ocorrer a biodegração são necessárias certas condições climáticas, se não é impossível que o agente responsável por acelerar este processo reaja.

Sendo assim, o que fazer?

carregue suas compras em bolsas ou mochilas;
leve a famosa sacola-de-feira para o supermercado;

Esta cultura da sacolinha de plástico é a prova definitiva do hiper-consumismo, visto que a prática de chegar ao mercado sem sacolas e voltar com dezenas dela é simplesmente desnecessária.

Segue alguns dados assustadores:
o Brasil produz anualmente cerca de 250 mil toneladas de filme plástico (material de que são feitas as sacolinhas plásticas);
estima-se que o mundo utilize 1 milhão de sacolas plásticas por minuto;
no mundo, são consumidas mais de 500 bilhões sacolinhas plásticas por ano;
uma barraca de feira chega a utilizar mil saquinhos plásticos por dia;

Supermercados como o "Pão de Açucar" comercializam sacolas de pano ou de materiais mais resistentes, como o nylon, porém a procura é quase inexistente. Por isto se conscientize, tome vergonha e adquira já uma sacola destas! Provavelmente seus avós devam ter em casa, visto que são pessoas mais educadas do que nós. Depois disto, propague a mensagem e alerte os seus conhecidos para as consequências da utilização da inofensiva sacolinha de plástico.

Referência: http://ambiente.hsw.uol.com.br/sacola-plastico.htm