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domingo, 29 de agosto de 2010

Morrissey: I Have Forgiven Jesus


Esta talvez seja a minha canção predileta deste álbum. Por trás de um título polêmico, musicalmente temos uma obra de arte. Os vocais de Morrissey são bem explorados, assim como o instrumental, que embora não seja tão técnico, funciona perfeitamente para o propósito. O destaque fica para os teclados e as frases de piano que acompanham a música de maneira uniforme, do princípio ao fim - com exceção do refrão e das pontes, que são mais melodiosos e destacam mais os sintetizadores.

Letra mais provocativa com um título destes não poderia existir. Aqui a alfinetada vai para o cristianismo, cuja figura sacra de Cristo é colocada entre quadro paredes e questionada profundamente.

A letra poderá dizer respeito a duas situações diferentes: o interlocutor pode ser um homossexual, cuja ideologia cristã conflita com sua tendência sexual, o que causa uma repressão que é vislumbrada nos versos da música, ou então estamos simplesmente falando de um padre católico, a qual o direito de amar lhe é proibido e ele, repreendido, se volta contra sua própria crença (o clipe faz alusão a esta mensagem).

Muito bacana esta dupla interpretação justamente por que a própria opção sexual de Morrissey é um mistério. Há quem diga que ele é homossexual, porém o cantor nunca se pronuncia a respeito. Quando questionado, ele se nega a falar do assunto, visto que a sua opção em nada agrega a sua carreira artística.

Título: I Have Forgiven Jesus
Letra por Morrissey/Alain Whyte
Album: You Are The Quarry
Ano: 2004


I was a good kid
Eu fui um bom garoto
I wouldn't do you no harm
Eu não te faria nenhum dano
I was a nice kid
Eu fui um garoto legal
With a nice paper round
Com uma rota legal de entrega de jornais
Forgive me any pain
Perdoe-me qualquer dor
I may have brung to you
Que eu possa ter te trazido
With God's help I know
Com ajuda de Deus, eu sei
I'll always be near to you
Sempre estarei perto de você

But Jesus hurt me
Mas Jesus me magoou
When he deserted me, but
Quando me abandonou, mas
I have forgiven you Jesus
Eu perdoei Jesus
For all the desire
Por todo o desejo
He placed in me
Que ele colocou em mim
When there's nothing I can do
Quando não há nada que eu possa fazer
With this desire
Com esse desejo

I was a good kid
Eu fui um bom garoto
Through hail and snow
Através do granizo e da neve
I'd go just to moon you
Eu iria apenas para te ultrajar
I carried my heart in my hand
Eu carreguei meu coração em minhas mãos
Do you understand?
Você compreende?
Do you understand?
Você compreende?

But Jesus hurt me
Mas Jesus me magoou
When he deserted me, but
Quando me abandonou, mas
I have forgiven you Jesus
Eu perdoei Jesus
For all of the love
Por todo o amor
He placed in me
Que ele colocou em mim
When there's no one I can turn to
Quando não há ninguém para quem eu possa me voltar
With this love
Com este amor

Monday - humiliation
Segunda - humilhação
Tuesday - suffocation
Terça - sufocamento
Wednesday - condescension
Quarta - condescendência
Thursday - is pathetic
Quinta - é patético
By Friday life has killed me
Lá pela sexta - a vida me matou
By Friday life has killed me
Lá pela sexta - a vida me matou
(Oh pretty one, Oh pretty one)
(Oh, lindo, Oh, lindo)

Why did you give me so much desire?
Por que você me deu tanto desejo?
When there is nowhere I can go
Quando não tenho aonde ir
To offload this desire?
Para descarregar este desejo?
And why did you give me so much love
E por que você me deu tanto amor
In a loveless world
Num mundo sem amor
When there is no one I can turn to
Quando não há ninguém para quem eu possa voltar
To unlock all this love?
Para liberar todo esse amor?

And why did you stick in
E por que você me mutila
Self deprecating bones and skin?
Com ossos e pele auto-depreciativos?
Jesus do you hate me?
Jesus, você me odeia?
Why did you stick in
Por que você me mutila
Self deprecating bones and skin?
Com ossos e pele auto-depreciativos?
Do you hate me?
Você me odeia?

sábado, 7 de agosto de 2010

Morrissey: Irish Blood, English Heart


Primeiro single de You Are The Quarry, esta canção teve uma excelente aceitação pelo mundo, ficando, inclusive, em 3º lugar nas paradas do Reino Unido e atingido o 36º lugar na Modern Rock Track da revista Billboard americana. Esta música aparece também no jogo Fifa Soccer 2005, embora uma parte tenha sido cortada, provavelmente pelo teor provocativo de Morrissey em sua letra.

A música é curta, com melodia bem encaixada aliada a voz marcante do cantor. Os instrumentos são bem valorizados, principalmente a guitarra, cujo riffs acompanham bem o vocal e há algumas escapadas solos no miolo interessantes. Logo na introdução, temos duas frases (com uma nota aguda perdida na segunda frase) acompanhadas de uma batida leve e seca na bateria, que se mantém até Morrissey acabar a primeira estrofe. Na sequência vem uma paletada mais forte, que dita o restante da música, sem tirar o destaque de Morrissey. Realmente a canção é muito bem orquestrada - não é a toa que se tornou a primeira música de trabalho do álbum.

Quanto a letra, Morrissey aponta um fato histórico para trabalhar a sua provocação. Isto nos força a pesquisar para entender melhor o significado e, veja só, quando dou por mim percebo que Morrissey, inusitadamente, nos traz uma pequena aula de história. Resumidamente, o citado Oliver Cromwell foi um militar e político britânico cujas ações culminaram no chamado protetorado, uma espécie de ditadura, a qual Escócia, Inglaterra e Irlanda foram submetidas.

Entre estas ações, em 1649 Cromwell acabou com a monarquia na Irlanda, ordenando, inclusive, o assassinato em massa de 3500 pessoas em Drogheda - sendo que 2700 eram soldados monarquistas e outras pessoas que possuíam armas, inclusive civis, prisioneiros e padres católicos, num verdadeiro genocídio. Dizem que até os dias de hoje, Cromwell é profundamente odiado na Irlanda. O ato em si foi considerado uma grande ofensa contra os católicos e até hoje gera uma grande discórdia que acalenta o conflito entre católicos e protestantes na região e também entre irlandeses e ingleses.

Sabendo disso, não precisa dizer mais nada. Basta ler a letra. Morrissey, ao seu modo, quer acabar com esta palhaçada. Diz que os ingleses não devem se orgulhar de ter Oliver Cromwell em sua história e pede, inclusive, para esquecê-lo para sempre. Só assim será possível unir as duas nações, sem que tenha que temer por atos de violência simplesmente por ter nascido em um dos dois países. Muitas vezes são ideias provenientes do Partido Conservador do Reino Unido que continuam a promover este tipo de contenda, então Morrissey se dirige diretamente à eles na última estrofe desta canção.

Título: Irish Blood, English Heart

Letra por Morrissey/Alain Whyte
Album: You Are The Quarry
Ano: 2004


Irish blood, English heart, this I'm made of
Sangue irlandês, coração inglês, é disso que sou feito
There is no-one on earth I'm afraid of
Não há ninguém no planeta que eu tenha medo
And no regime can buy or sell me
E nenhum regime pode comprar ou me vender

I've been dreaming of a time when
Eu tenho sonhado com um tempo onde
To be English is not to be baneful
Ser inglês não será prejudicial
To be standing by the flag not feeling
Segurar a bandeira sem sentir-se
Shameful, racist or partial
Envergonhado, racista ou parcial

Irish blood, English heart, this I'm made of
Sangue irlandês, coração inglês, é disso que sou feito
There is no-one on earth I'm afraid of
Não há ninguém no planeta que eu tenha medo
And I will die with both my hands untied
E morrerei com ambas as mãos desatadas

I've been dreaming of a time when
Eu tenho sonhado com um tempo onde
The English are sick to death of Labour
Os ingleses estejam enjoados dos Trabalhistas
And Tories, and spit upon the name of Oliver Cromwell
E dos Conservadores, e cuspam sobre o nome de Oliver Cromwell
And denounce this royal line that still salute him
E condenem esta linhagem real que ainda o saúda
And will salute him forever
E o saudará para sempre

domingo, 18 de julho de 2010

Morrissey: America Is Not The World


Belíssima canção de entrada para o maravilhoso You Are The Quarry, álbum de 2004 do grandioso Morrissey. A batida pop e suave, que lembra os dias de glória do Gênesis, com a mescla de elementos eletrônicos e sintetizadores, que traz alguma coisa de New Order em si, formam a cozinha perfeita para que a deliciosa voz, a qual Morrissey é dotado, lhe guie para fora do universo. Esta é daquelas canções excelentes para ouvir enquanto estamos em trânsito, seja caminhando ou seja em algum veículo, justamente por que é uma excelente trilha sonora para relaxarmos e ampliarmos nossas reflexões nos momentos que estamos sozinho.

Mas não se enganem com a melodia da música. Por trás da voz de Morrissey, que se destaca frente a qualquer outro instrumento no álbum, temos uma letra extremamente ácida e irônica, que crítica verozmente o império formado pelos Estados Unidos da América, ou apenas EUA - como muitos preferem. Quem conhece Morrissey já sabe o que compra quando vai as lojas, então não se impressiona com o conteúdo. Aos marinheiros de primeira viagem, pelo título das canções, já consegue ter uma prévia das letras. Já aos despercebidos poderão se espantar quando no meio de tão relaxante melodia ouvir versos como "Well, America, you know where you can shove your hamburger - Bem, America, você sabe onde pode enfiar este seu hambúrger".

Particularmente eu adoro as críticas de Morrissey, então vale a pena comentar um pouco da letra. Assim como muitos, Morrissey é um cara que se incomoda bastante com a política agressiva e consumista do EUA. Vegetariano assumido e defensor dos direitos dos animais, Morrissey se mostra extremamente incomodado com as ações dos americanos no mundo. Ao invés de escrever uma crítica construtiva, Morrissey opta por destruir o país norte-americano, expondo na letra toda a arrogância americana, que vende um discurso de terra maravilhosa para o mundo, embora todos saibam que não é bem assim que acontece.

Na época que Morrissey lançou o álbum, o presidente era até então o polêmico George Bush, o que ressalta ainda mais a sua crítica em relação ao país. Não sei se esta letra seria escrita desta maneira hoje, com Obama no poder (que, inclusive, contraria uma parte da letra que diz "(...) where the president is never black (...) and until that day, you've got nothing to say to me to help me believe"), porém em parte ainda pode servir de estandarte de como os outros países enxergam os EUA.

O país continua sendo um expoente de obesidade, graças ao alto consumo de fast-food desenfreado. Enquanto aqui no Brasil as classes que possuem condição comem em Fast-Foods esporadicamente, quem já passou pelo país observa uma cultura de comer pesados sanduíches em quantidade extremamente exagerada. Além disto, ainda sofremos com a negligência do governo americano em não contribuir com sua parcela na sustentabilidade do planeta, ou mesmo na exploração de recursos humanos nos países subdesenvolvidos.

Bem, America não é o mundo - and "I just wish you'd stay where you is - eu desejo que você continue onde você está."! Fique aí mesmo e deixe nos em paz!

Título: America Is Not The World
Letra por Morrissey/Alain Whyte
Album: You Are The Quarry
Ano: 2004


America, your head's too big
America, sua "inteligência" é tão grande
Your belly's too big
Porque, America, sua barriga é tão grande
And I love you
E eu amo você.
I just wish you'd stay where you is
Eu desejo que você continue onde você está.

In America, the land of the free - they said - and of opportunity
Na America, a terra da liberdade - eles dizem - e da oportunidade
In a just and a truthful way
De uma maneira justa e confiável
But where the president is never black, female or gay
Mas onde o presidente nunca é negro, mulher ou homossexual
And until that day, you've got nothing to say to me
E até esta dia chegar, não há nada que você me diga
To help me believe
Que me faça acreditar

In America it brought you the hamburger
Na America eles lhe servem um hambúrger
Well, America, you know where
Bem, America, você sabe onde
You can shove your hamburger
Você pode enfiar o seu hambúrger
And don't you wonder
E você não se toca
Why in estonia they say
Por que na Estônia eles dizem:
"Hey you, big fat pig, you fat pig, you fat pig"?
"Ei você, seu imenso e gordo porco"?

Steely blue eyes with no love in them
Com frios olhos azuis sem nenhum amor
Scan the world and a humourless smile
Exploram o mundo e com um sorriso sem humor
With no warmth within
Sem calor
Greets the world
Cumprimenta o mundo
And I, I have got nothing to offer you
E eu, eu não tenho nada para lhe oferecer
No-no-no-no-no
Na-na-não
Just this heart deep and true
Somente este coração profundo e verdadeiro
Which you say you don't need
A qual você diz que não precisa

See with your eyes
Veja com seus olhos
Touch with your hands, please
Com com suas mãos, por favor
Hear through your ears
Escute através de seus ouvidos
Know in your soul, please
Veja em sua alma, por favor
For haven't you me with you now?
Pois você já não me tem agora?
And I love you
E eu amo você

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Bullet With Butterfly Wings

Demasiadamente estranha pode ser a linha da existência. Afinal, para quê existimos? Para formular alguma resposta viável precisaríamos considerar outros mistérios precedentes a este. Temos, porém, elementos que nos fazem acreditar que a existência não possue significação em si mesma. Neste caso, existir é um mero acidente e viver é o grande desafio.

Durante a vida, somos explorados pelo simples fato de existir. De fato, o condicionamento das pessoas em aceitar tal condição é outro mistério tão grande quanto o divino, visto que o mundo é como um vampiro que suga a nossa energia, nos cansa e nos enfraquece. Se há algo de oculto no mundo é esta força que age por trás do sistema que te impulsiona para uma batalha dolorida e desgastante, onde nada recebemos por tanta dor que sentimos quando pensamos em nós mesmos.

Quando surgem sonhos, somos iludidos a acreditar que tudo é possível sem antes analisarmos os perigos por trás da ousadia de querer seguir adiante. Nossos desejos, na verdade, são apenas artefatos para alimentar a sede do Deus-Dinheiro: quanto mais nos frustamos, mais desejamos. Quanto mais desejamos, mais gastamos. Quanto mais gastamos, mais corroemos nossa alma.

Apesar de sabermos o quão é difícil manter uma posição contrária ao sistema opressor, continuamos a seguir por esta linha. Afinal, mesmo que só traga sofrimento é o nosso único resquício de autenticidade - a última parcela humana dentro de nós. Por isto não podemos nos cansar, somos soldados solitários e esperamos que a humanidade abra os olhos para aquilo que acontece ao redor. Para isto a minha contenda é escrever na esperança que leiam. Ao ler, espero que aqueles que não enxergam passem a enxergar.

Porém sei o quão difícil é esta guerra, pois apesar de gritarmos, protestarmos e escrevermos, apesar de tanta paixão que desprendemos nesta causa, somos como ratos trancados numa gaiola. As pessoas pararam de acreditar e aceitaram que estão condenadas. Afinal aceitar o que não se pode mudar pode ser um alívio enquanto houver vida. Porém esta vida é vida-morta ao vivermos como mortos-vivos. Enquanto não me ouvirem, continuaremos engaiolados.

Quando deixaram de acreditar arrancaram minhas armas e aqui me encontro nú, escrevendo palavras que nem sequer sei se um dia serão lidas por alguém. Sou ou não sou mesmo como um animal, ao falar num idioma que ninguém consegue compreender? Ao menos finjam e me aceitem como sou! Claro que minha voz agride os ouvidos de quem quer escutar, porém peço para me aceitarem por apenas mais alguns instantes, pois em breve não estarei mais com vocês, afinal não suporto dividir o meu palanque com tão impuros espíritos.

Com esta atitude pobre o que você pretende para a sua vida e a dos seus filhos? Você realmente está satisfeito com o que acontece? Pois eu quero mudar desesperadamente este nosso percurso! Não dá mais para continuar assim... O que você ganha por se sentir exatamente assim? Sei que as coisas não vão bem, então porque não mudar?

Bem que gostaria de ser o escolhido. Com toda a minha visão, certamente seria eleito o novo salvador, afinal Jesus com suas ideias foi tão aplaudido antes, imagina eu? Imagine a quantidade de seguidores que iria adquirir se minhas palavras pudessem expandir para o mundo? Afinal o próprio filho de Deus não foi o único? Ao menos para você eu sei que ele foi. Então confie em mim e deixe me neste frio e gelado velho trabalho.

Smashing Pumpkins, Bullet With Butterfly Wings

The world is a vampire, sent to drain
O mundo é um vampiro, enviado pra sugar
Secret destroyers, hold you up to the flames
Destruídores furtivos, te fazem enfrentar as chamas
And what do I get for my pain?
E o quê que ganho, pela minha dor?
Betrayed desires, and a piece of the game
Desejos traídos, e as moedas do negócio

Even though I know - I suppose Ill show
Apesar de saber – acredito que continuarei
All my cool and cold-like old job
Neste meu frio e gelado velho trabalho

Despite all my rage Im still just a rat in a cage
Apesar da minha fúria sou apenas um rato engaiolado
Then someone will say what is lost can never be saved
E alguem dirá que o que está perdido não se pode recuperar
Despite all my rage Im still just a rat in a cage
Apesar da minha fúria sou apenas um rato engaiolado

Now Im naked, nothing but an animal
Agora estou nu, nada mais que um animal
But can you fake it, for just one more show?
Mas dá pra você fingir, pra apenas mais um show?
And what do you want, I want to change
E o que você prentende? Eu quero mudar
And what have you got when you feel the same
E o que você recebe por se sentir o mesmo?

Tell me Im the only one
Diga-me que sou o único
Tell me theres no other one
Diga-me que não há outro alguem
Jesus was an only son
Jesus era filho único
Tell me Im the chosen one
Diga-me que eu sou o escolhido
Jesus was an only son... for you
Jesus era filho único...pra você

sábado, 20 de setembro de 2008

Especial: Radiohead - OK Computer

Vídeos, Letras e Análises Faixa-a-Faixa
01. Airbag
02. Paranoid Android
03. Subterranean Homesick Alien
04. Exit Music (For A Film)
05. Let Down
06. Karma Police
07. Fitter Happier
08. Electioneering
09. Climbing Up The Wall
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist

Radiohead: The Tourist

Finalmente chegamos ao fim desta grande obra prima da música internacional. Com maestria, o Radiohead encerra este épico conceitual de forma brilhante, lenta e reflexiva. Na música anterior, havia uma certa tendência que apontava que nosso personagem havia se entregado e com isto iria viver uma vida rotineira e sem perigos.

De fato, é o que confirmamos no fim. Em The Tourist, o protagonista voltou para o estado que se encontrava antes da experiência catastrófica que levou um Airbag a salvar a sua vida. O sistema acabou por reprimir-lhe, eis que ele não aguentou tamanha pressão e deixou que fosse engolido para viver uma vida sem grandes emoções.

O tédio é parte integrante desta maneira de viver, assim como o estress, o nervosismo, a vontade de fazer tudo mais rápido mesmo sem saber para quê. Por isto somos chamados de idiotas. Os idiotas corporativos, que doam o seu sangue para sustentar todo um sistema que só se preocupa em enriquecer.

A mensagem mais forte no fim deste álbum é justamente alertar que estamos sozinhos na luta contra a toda poderosa máquina, e que por mais que lutemos a tendência é sermos constantemente vencidos. No contesto existencialista, é o aburso do existir que fala mais alto. Tudo depende da sua sorte de berço e do seu meio, de modo que não temos escolha. Por vezes até tentamos desviar daquilo que a vida projetou para nós, mas somos castigados por um crime não cometido, de tentar sobreviver ao caos predominante nestes tempos onde, como diria o Renato Russo, "Viver é foda, morrer é díficil". Ok, computador, você venceu.

The Tourist, ao vivo.

It barks at no one else but me
Ele late para ninguém mais senão para mim
Like it's seen a ghost
Como se tivesse visto um fantasma
I guess it seen the sparks a-flowing
Eu acho que ele viu a faisca fluindo
No one else would know
Ninguém mais saberia

Hey man slow down, slow down
Hei homem, devagar aí, devagar aí
Idiot, slow down, slow down
Idiota, devagar aí, devagar aí

Sometimes I get overcharged
Algumas vezes eu sou cobrado em excesso
That's when you see sparks
É quando você vê faísca
You ask me where the hell I'm going
Você me pergunta onde diabos estou indo
At a thousand feet per second
Há uns mil pés por segundo

Fim

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Radiohead: Lucky

Esta canção está envolvida por um mistério. Sua letra é um contraste da melancólica melodia. Fala sobre o sentimento que muitas vezes temos onde a sorte parece mudar a nosso favor. Sabe quando a tormenta é tão densa que quando ela diminui nos sentimos tão aliviados que achamos que tudo está bem? O Radiohead talvez esteja por tratar disto.

Não há como ter certeza, o que não poderia ser diferente num album tão genial como este, porém ele diz "Eu estou numa roda" e isto permite uma associação com o antigo conceito da roda da fortuna, onde o homem em dado momento está por cima, em outro está por baixo, sem que aja um lógica exata para explicar porque isto acontece. Segundo este conceito, é a sorte que vai determinar como você está hoje.

Outra coisa que pode ser levada em consideração é uma provocação: o protagonista não estaria sendo seduzido por uma vida inautêntica? Não estaria ele aceitando as coisas como são, de modo que tenha desistido de tentar lutar contra o sistema? Não seria esta aceitação do absurdo que o levou a achar que é a sorte que estava mudando o seu ponto de vista?

Os questionamentos acima têm origem no vídeoclip oficial, que mostra uma série de barbáries cometidas com crianças, consequências da guerra e abuso de poder. E ainda assim, como é possível que as pessoas ainda conseguem sorrir com tantas coisas ruins acontecendo ao nosso redor?

Somente um estado de condicionamento poderia nos levar a esquecer de certos problemas sociais, de forma que olhar para tantas atrocidades e ainda assim poder viver em total indiferença é sorte para poucos.

Videoclip oficial de Lucky

I'm on a roll, I'm on a roll
Eu estou numa roda, eu estou numa roda,
This time, I feel my luck could change
Desta vez, eu sinto que minha sorte mudará
Kill me Sarah, kill me again with love
Mate-me Sarah, mate-me novamente com amor
It's gonna be a glorious day
Este será um dia glorioso

Pull me out of the aircrash
Tire me do acidente aéreo
Pull me out of the lake
Tire me do lago
I'm your superhero
Eu sou seu superherói
We are standing on the edge
Nós permaneceremos no limite

The Head of State has called for me by name
O Chefe de Estado chamou por meu nome
But I don't have time for him
Mas eu não tenho tempo para ele
It's gonna be a glorious day
Este será um dia glorioso
I feel my luck could change
Eu sinto que minha sorte irá mudar

A seguir,  The Tourist.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Radiohead: No Surprises

Desta vez o Radiohead nos alerta para os perigos de uma vida-padrão. Ou seja, todo mundo igual a todo mundo. Mais uma vez o foco é a previsibilidade e a distância do homem consigo mesmo.

Poderíamos falar horas e horas sobre todos os sintomas que indicam que os seres, neste tempo mais do que em outros, vivem uniformizados ao pensar sobre uma mesma coisa e sobre uma mesma idéia.

Nos versos desta bela canção, o homem é retratado como uma figura sem expressão, e esta não-expressão aparenta uma certa melancolia presente na face de um ser sem razão de ser. Uma vida que não é, mas vai sendo, onde as coisas sempre são projetadas para um amanhã que nunca irá chegar.

Os planos que são adiados representam a calmaria em viver esta espécie de vida distraída. A distração é um anestésico que permite que cheguemos ao fim deixando uma série de coisas para fazer, e assim temos uma vida sem alarmes e sem surpresas, estamos tão condicionados que nos tornamos invisíveis para o mundo. Como o Radiohead diz, silenciosos.

Vídeoclip oficial de No Surprises

A heart that's full up like a landfill,
Um coração que está completo como um lixão,
a job that slowly kills you,
Um emprego que lentamente lhe assassina,
bruises that won't heal.
Feridas que não vão cicatrizar.
You look so tired-unhappy,
Você parece tão cansado e infeliz,
bring down the government,
Menospreze o governo,
they don't, they don't speak for us.
Eles não, eles não falam por nós.
I'll take a quiet life,
Eu irei ter uma vida tranquila,
a handshake of carbon monoxide,
um cumprimento de monóxido de carbono.

with no alarms and no surprises,
Sem alarmes e sem supresas,
no alarms and no surprises,
Sem alarmes e sem supresas,
no alarms and no surprises,
Sem alarmes e sem supresas,
no alarms and no surprises,
Sem alarmes e sem supresas,
Silent silent.
Silêncioso, silêncioso.

This is my final fit,
Este é o meu ataque final,
my final bellyache,
Minha ultima dor de barriga.

with no alarms and no surprises,
Sem alarmes e sem supresas,
no alarms and no surprises,
Sem alarmes e sem supresas,
no alarms and no surprises please.
Sem alarmes e sem supresas,

Such a pretty house
Uma linda casa assim
and such a pretty garden.
E um jardim lindo assim.

A seguir, Lucky.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Radiohead: Climbing Up The Wall

Nesta música lenta, com o vocal distorcido, o Radiohead divaga sobre um assunto frequente em nossa atual sociedade: a violência e o crime.

A letra retrata uma invasão a residência, todos os passos frios e cruéis do lado do agressor e o retrato da frieza e crueldade de quem já fez do ato uma profissão.

Para nós, resta apenas o medo: "Quinze golpes atrás de minha cabeça. Quinze golpes em minha mente". Esta sentença soa como "Quem bate não se recorda, mas quem apanha nunca se esquece".

"Não berre ou toque o alarme, somos amigos até morrermos" / "E tanto faz onde você for, eu estarei ali, abrindo seu crânio"

Nós, quando vítimas ou espectadores, ficamos sem entender porque as coisas são assim. Porque nos esforçamos tanto para ter as coisas para depois alguém, covardemente - e toda a covardia é cruel, tomar de nós de forma brutal e inconsequente. Aqui estão vidas que jamais serão as mesmas novamente, afinal uma cicatriz foi aberta para jamais ser fechada: o medo do próprio homem, animal da mesma espécie.

Mas porque o Radiohead ressalta uma temática tão abrangente num album que diz sobre os perigos da tecnologia, da alienação e do condicionamento? Obviamente o roubo e o furto não são doenças que surgiram em nosso tempo, há registros de incidentes desta natureza há milhares de anos. Porém, em nosso tempo, surge um certo prazer em fazer o mal.

Antes, o criminoso roubava para suprir uma necessidade monetária, matava para cumprir um objetivo. Hoje estas práticas são quase que um esporte. Há pessoas que gostam de torturar, de testar os limites do homem, de romper com a mais ínfima dignidade presente no coração mais negro possível. Eles matam por prazer. Sabendo disto temos medo, pois o perigo de morte nunca foi mais real. Estamos fragilizados pela brutalidade do homem.

Mais uma montagem de fãs

Mas quais são os sintomas para que este tipo de patologia exista em nossa sociedade? Esta questão é muito complexa e deixar a questão em aberto bastaria para que fizéssemos justiça à intenção do compositor, mas podemos arriscar algumas coisas mais evidentes.

Primeiro que o nosso sistema é baseado na exploração de recursos, ou seja, na humilhação e subordinação do homem como ser jogado no mundo. Somos escravos de um sistema impune e indestrutível. Não há muito o que fazer, a não ser levar cada dia de uma única vez. O sentimento de humilhação e exploração pode levar algumas camadas mais miseráveis da sociedade (ainda que não seja exclusividade de uma classe social) a romper com os seus limites e despertar um sentimento insano de vingança. De certa maneira, a agressão à alguém de uma classe mais elevada, pode representar uma figuração em dar o troco para toda a injustiça - ainda que nesta atitude, por não ser racional, também represente uma injustiça com o agredido.

Segundo, a própria evolução tecnológica levou a criação de armas de fogo cada vez mais precisas por um menor custo. Quem é portador de uma arma de fogo tem o controle total em uma situação de agressão, pois basta um disparo para eliminar qualquer risco que ele poderia ter numa ação de crime. Na outra mão, temos uma outra pessoa que não tem a menor chance de se defender, totalmente refem da circunstância.

Terceiro, o condicionamento das massas levou as pessoas a terem medo das coisas. As mídias insistem, ininterruptamente, em noticiar casos de sequestros, assaltos, assassinatos, estupros e outras formas de agressão, de modo que com o pânico gerado, nos tornamos cada vez mais frágeis e os criminosos cada vez mais encorajados ao saber do estado de nosso espírito.

Poderíamos elencar uma série de outros fatos, porém estes bastam para saber porque tamanha crueldade tem uma relação especial com a temática do album. Quanto mais "evoluímos", mais nos tornamos escravos das coisas.

I am the key to the lock in your house, that keeps your toys in the basement
Eu sou as chaves para as fechaduras de sua casa, que mantém seus brinquedos no porão
And if you get too far inside, youll only see my reflection
E se for muito para o fundo, verá somente o meu reflexo
Its always best when the light is off, I am the pick in the ice
É sempre melhor quando a luz está apagada, eu sou a essência do gelo
Do not cry out or hit the alarm, were friends till we die
Não berre ou toque o alarme, somos amigos até morrermos

And either way you turn, Ill be there, open up your skull
E tanto faz onde você for, eu estarei ali, abrindo seu crânio
Ill be there, climbing up the walls
Eu estarei ali, escalando as paredes

Its always best when the light is off, its always better on the outside
É sempre melhor quando a luz está apagada, é sempre melhor do lado de fora
Fifteen blows to the back of my head, fifteen blows to your mind
Quinze golpes atrás de minha cabeça, Quinze golpes para sua mente
So tuck the kids in safe tonight, shut the eyes in the cupboard
Então mantenha os garotos a salvo hoje a noite, feche os olhos no armário
So not cry out or hit the alarm, youll get the loneliest feeling
Então não berre ou dispare o alarme, você sentirá o mais solitário sentimento
That either way you turn, Ill be there, open up your skull
Que onde quer que você esteja, eu estarei ali, abrindo seu crânio
Ill be there, climbing up the walls
Eu estarei ali, escalando as paredes.

A seguir, No Surprises.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Radiohead: Electioneering

Certa vez, Thom Yorke disse que foi inspirado pela filosofia de Noam Chomsky que escreveu a letra desta canção. Ele dizia que algumas frases saiam enquanto certas idéias vagavam em sua mente. Por exemplo, após ler diversos escritos de Chomsky sobre o 3º mundo, guerras e política, veio a frase "O gado estimulando o f.m.i." (Fundo Monetário Internacional).

A música não é uma das melhores do album, justamente porque quebra o ritmo melancólico e trabalhado em todas as outras faixas para assumir uma postura mais crua, pesada e pop. Talvez seja esta a intenção, o que pode ser constatado quando estabelecemos uma paralelo entre a letra e a melodia.

Electioneering ao vivo, em 1997.

Na letra, o protagonista assume um candidato político que, através de idéia maquiavélicas, mostra como controlar e enganar as pessoas através de um discurso retórico persuassivo. Conforme ele diz: "Diga a coisa certa quando fizer propaganda política". Seguindo este conselho, surge a imagem do candidato sorridente, bem vestido, adentrando-se entre o povo, acenando com as mãos e dizendo: "Eu confio! Eu posso confiar em seu voto!".

Por trás de suas palavras, encontramos o seu pensamento: "Quando eu vou em frente você vai para trás". Vivemos num sistema infálivel e complexo, ditatorial e voraz, enquanto alguns ganham muito, outros não ganham nada. Em países de 3º a diferença é ainda mais gritante: vemos uma pequena parcela da população ganhando rios de dinheiro e uma grande parcela vivendo em extrema condição de pobreza. Este sistema é orientado à exploração. Aqueles que sabem explorar bem irão se dar bem.

Ou seja, é um sistema imoral onde a enganação e a falsidade são pré-requisitos para exercer o controle e ter o poder de oprimir os seus adversários. Talvez, neste contexto, a agitação da música seja explicada: Propaganda política é sinônimo de festa para lavar o cérebro das massas. Como aquelas marchichas disparadas em caminhões de som e grupos que tocam canções ao vivos para enaltecer a imagem do político - o que é extremamente necessário num mundo regido pelas aparências, onde cada idéia não parece ter um mínino valor em frente com aquilo que pode ser visto.

Montagem de Electioneering realizada por fãs, mas que expressa bem o significado da letra.

I will stop
Eu vou parar
I will stop at nothing
Eu vou parar por nada.
Say the right things
Diga a coisa certa
When electioneering
Quando estiver fazendo propaganda política
I trust I can rely on your vote
Eu confio eu posso confiar em seu voto.

When I go forwards you go backwards
Quando eu vou em frente você vai para trás
And somewhere we will meet
E em algum lugar nos encontraremos.

Riot shields
Proteções de revoltas,
Voodoo economics
Economia de vodu
It's just business
São só negócios,
Cattle prods and the IMF
O gado estimulando o f.m.i.
I trust I can rely on your vote
Eu confio eu posso confiar em seu voto.

A seguir, Climbing Up The Walls.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Radiohead: Fitter Happier

Aqui não temos uma canção, mas um robô que cita uma espécie de mandamentos para uma sociedade gélida e distraida. Esta faixa serve como uma ponte para o restante do álbum. Assim como em obras como Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e 1984 de George Orwell - que o Radiohead admitiu como uma de suas fontes de inspiração para o OK Computer - temos uma série de enunciados que visam simplesmente fazer com que o homem desfoque de qualquer problema que por ventura possa ter.

Existe um animê chamado Ergo Proxy (que falaremos neste blog futuramente) que demonstra muito claramente como este condicionamento funciona: em pleno centro da cidade, alto-falantes dizem a todo o tempo "consumam, consumam muito, pois você merece o melhor e merece cada vez mais". Enquanto isto, acontecem diversas coisas em âmbito político que as pessoas não sabem e não se preocupam em saber, pois estão de tal forma controladas pelo sistema, que não têm tempo para descobrir se alguma coisa estiver errada.

Em nossos dias, temos um discurso semelhante: seja manso. Para isto temos artefatos como televisão, trabalho, danceterias, amigos, animais, bebida, drogas, videogames, esportes, religião e muitos outros. Falta tanto tempo para fazermos as coisas que jamais teremos tempo para repensar os problemas do mundo. Estamos totalmente sujeitos as vontandes do sistema, cada vez mais distantes da realidade e próximos de um mundo de fantasias.

Montagem bem interessante de Fitter Happier

Nas empresas, podemos vislumbrar as coisas acontecerem desta maneira: um empregado desprende horas e horas do seu dia (no caso normal, oito horas de jornada de trabalho, mais uma hora de almoço, mais duas horas para se locomover até o local) para enriquecer alguém. Sua jornada é tão estressante, que a empresa usa e abusa mentalmente de táticas para passar a imagem de boa menina: oferece academia de musculação, curso de idiomas, faculdade, corte de cabelo, escola de música e muitas outras coisas. Isto para quê os empregados acreditem estarem na melhor empresa e se sentem absurdamente gratos por estarem ali, o que faz com que a empresa cobre ainda mais a sua produção. Sabemos, entretanto, que a idéia é fortificar o funcionário para ele trabalhar cada vez mais.

Por exemplo, estou farto de ouvir por aí que quando alguém se queixa que está cansado os outros insistem em dizer que é falta de exercícios ou de uma boa alimentação regular. Pessoal, nós trabalhamos muito, além de sermos pressionados pelas circunstâncias da vida, o que precisamos, então, é somente descansar! Não temos que ficar procurando coisas que nos façam ir além de nossos limites, até porque as empresas querem que você se sinta mais disposto apenas para trabalhar, e só! Se eu durmo apenas seis horas por dia, não me venham falar que eu preciso fazer exercícios ou me alimentar melhor! O que eu preciso é que reduzam a minha carga horária e que diminuam a pressão que exercem em meu ser!

Ainda assim o funcionário passa a ficar na empresa, além das onze horas do seu dia, mais umas três ou quatro horas, de modo que ele só vai para casa, literalmente, para dormir. Não há mais vida. Somos bichos adestrados. Somos facilmente prostituidos por poucas coisas. Enquanto isto, a vida acontece longe dali, para um povo que desistiu de vivê-lá e tudo por uma rápida distração.

Fitter, happier, more productive,
Mais sano, mais feliz, mais produtivo
comfortable,
Confortável
not drinking too much,
Não bebendo demais,
regular exercise at the gym (3 days a week),
Exercícios regulares na academia (3 dias por semana)
getting on better with your associate employee contemporaries,
Relacionando-se melhor com seus atuais sócios e empregados,
at ease,
Descansar,
eating well (no more microwave dinners and saturated fats),
Comendo bem (nada de comidas de microondas e gorduras saturadas)
a patient better driver,
Um motorista mais paciente e melhor
a safer car (baby smiling in back seat),
Um carro seguro (bebê sorrindo no banco traseiro)
sleeping well (no bad dreams),
Dormindo bem (sem sonhos ruins)
no paranoia,
Sem paranóia,
careful to all animals
(never washing spiders down the plughole),
Cuidadoso com todos os animais (nunca lavando aranhas no buraco das tomadas)
keep in contact with old friends (enjoy a drink now and then),
Mantenha contato com velhos amigos (convide-os para um drink de vez em quando),
will frequently check credit at (moral) bank (hole in the wall),
Frequentemente checar crédito no (moral) banco (buraco na parede)
favors for favors,
Favores por favores,
fond but not in love,
Carinhoso mas não apaixonado,
charity standing orders,
Ordens regulares de caridade
on Sundays ring road supermarket
(no killing moths or putting boiling water on the ants),
(Não matar traças ou colocar água fervente nas formigas),
car wash (also on Sundays),
Lavar o carro (mesmo aos domingos)
no longer afraid of the dark or midday shadows
Não mais ter medo do escuro ou das sombras do meio-dia
nothing so ridiculously teenage and desperate,
Nada tão ridiculamente juvenil e desesperado
nothing so childish - at a better pace,
Nada tão infantil - em um rítmo melhor
slower and more calculated,
Mais devagar e mais calculado
no chance of escape,
Sem chance de escapar,
now self-employed,
Agora autônomo (ser seu próprio chefe)
concerned (but powerless),
Preocupado (mas incapaz)
an empowered and informed member of society (pragmatism not idealism),
Um membro da sociedade informado e ativo (pragmatismo e não idealismo),
will not cry in public,
Não chorarás em público
less chance of illness,
Menos chances de ficar doente
tires that grip in the wet (shot of baby strapped in back seat),
Pneus que aderem no molhado (livrou-se do bebê amarrado no banco traseiro)
a good memory,
Uma boa memória
still cries at a good film,
Ainda chorar em um bom filme
still kisses with saliva,
Ainda beijar com saliva,
no longer empty and frantic
Não mais vazio e frenético
like a cat
Como um gato
tied to a stick,
Amarrado a um pau
that's driven into
Que é levado à
frozen winter shit (the ability to laugh at weakness),
Merda do inverno congelado (a habilidade de sorrir da fraqueza)
calm,
Calma,
fitter, healthier and more productive
Mais em forma, mais sano e mais produtivo
a pig
Um porco
in a cage
Em uma jaula
on antibiotics.
Sob antibióticos.

Sample looping in background:
Ao Fundo:
[This is the Panic Office, section nine-seventeen may have been hit. Activate the following procedure.]

(Esta é a oficina do pânico. Seção 917 pode ter sido alcançada. Ativar seguinte processo)


A seguir,  Electioneering.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Radiohead: Karma Police

Esta música foi o principal hit do Radiohead nas rádios de todo o mundo quando OK Computer foi lançado - não é para menos, afinal esta é uma das melhores canções de toda a história da música - embora tenha sido o segundo single do OK Computer. A letra irá falar sobre a repressão das forças policiais como ferramenta da própria sociedade condicionada para espantar as pessoas que fogem de um determinado padrão.

Isto ocorre constantemente quando um pequeno aglomerado decide protestar a favor de uma causa e são silenciados pela polícia como se houvesse vandalismo. Ou então quando uma classe de trabalhadores decide entrar em greve e a mídia transmite a imagem de vilões e rebeldes para todos os que desconhecem os motivos da paralisação. Outro exemplo que pode ser utilizado é quando um homem decide causar por si mesmo uma revolução ou transmitir a sua mensagem através de um ato, como fazer um discurso inusitado em público, ou vestir roupas que ditem um movimento. A massa irá vislumbrar assustada e irá se sentir ofendida e perturbada. Muitas vezes chamam a polícia para colocar fim no assunto.

Vivemos, então, num sistema de constante repreensão e somos subjetivos as regras impostas pela sociedade, caso contrário somos punidos: "Isto é o que você ganha quando mexe com a gente".

Video-clip oficial de Karma Police

Karma police, arrest this man, he talks in maths
Karma policial, prenda este homem, ele fala em números,
He buzzes like a fridge, hes like a detuned radio
Ele zumbe como uma frigideira, ele parece um rádio fora de sintonia
Karma police, arrest this girl, her hitler hairdo, is making me feel ill
Karma policial, prenda esta garota, seu penteado de Hitler está me deixando doente
And we have crashed her party
E nós acabamos com a festa dela.

This is what you get, this is what you get
Isto é o que você ganha, isto é o que você ganha,
This is what you get, when you mess with us
Isto é o que você ganha, quando você mexe com a gente.

Karma police, Ive given all I can, its not enough
Karma policial, eu tenho dado tudo o que posso e não é o suficiente,
Ive given all I can, but were still on the payroll
Eu tenho dado tudo o que posso, mas nós ainda não constamos na folha de pagamento.
This is what you get, this is what you get
Isto é o que você ganha, isto é o que você ganha,
This is what you get, when you mess with us
Isto é o que você ganha quando você mexe com a gente.
And for a minute there, I lost myself, I lost myself
Por um minuto lá eu me perdi, eu me perdi.
And for a minute there, I lost myself, I lost myself
Por um minuto lá eu me perdi, eu me perdi.

 A seguir, Fitter Happier

sábado, 2 de agosto de 2008

Radiohead: Let Down

Let Down é uma das músicas que disfarça o seu conteúdo por trás de uma melodia mais serena, sem grandes surpresas, como quem diz: "A vida é isto mesmo" e ponto. Porém a letra retoma o tema central do OK Computer para criticar as grandes metrópoles, que com toda a sua agitação e arquitetura mais torna todas as coisas iguais para as pessoas.

Portanto, a canção ilustra bem a mensagem que a própria capa do albúm quis passar: cidades que não dormem onde o movimento é constantemente intenso. Carros, caminhões, motocicletas e ônibus inundam as ruas, assim como aviões e helicópteros invadem os céus. Estes grandes centros não prezam pela forma natural das coisas, assim como a beleza da própria natureza, mas pela funcionalidade que ela pode adquirir para facilitar as coisas para aqueles, principalmente, que ganham dinheiro, seja trabalhores-escravos ou empresários.

Uma montagem de Let Down realizada por fãs que ficou muito boa

Observamos o ser cada vez mais distante de habitat natural, como dissemos outrora. Isto só pode causar a decepção e o sentimento de solidão para aquela ínfima minoria que consegue vislumbrar toda esta arquitetura construida para concepção de um sistema condicionador, porém não há muito o que fazer, porque mesmo se somar todas as pessoas que se incomodam com esta sociedade apocaliptica para protestar, ainda assim será uma parcela tão pequena que facilmente será esmagada pelo próprio sistema, que visa controlar o pensamento de todos.

Dentro deste tipo de sociedade, que corre a todo o vapor, temos acidentes que tiram vidas ou que causam danos severos, porém devido a grande frequência com qual nos deparamos com estes acontecimentos, faz com que a coisa se torne tão normal, que não há mais lugar para aqueles que ainda se impressionam com isto. O fenômeno que observamos, inclusive, é que muitos conseguem até mesmo fazer píadas derivantes destas tragédias.

E, infelizmente, a única forma de sair disto tudo é fugindo para bem longe ou, como diz a música, ganhando asas para voar para bem longe.

Um video-clip independente criado por fãs cujo resultado é impressionante

Transport, motorways and tramlines
Transportes, motovías e trólebus
Starting and then stopping
Andando e então parando
Taking off and landing
Decolando e aterrissando
The emptiest of feelings
A mais vazia sensação
Disappointed people clinging on to bottles
Pessoas desapontadasa apegando-se a frascos
And when it comes it's so so disappointing
E quando chega é tão decepcionante

Let down and hanging around
Decepcionado e abandonado
Crushed like a bug in the ground
Esmagado como um inseto no chão
Let down and hanging around
Decepcionado e abandonado

Shell smashed, juices flowing
Concha quebrada, sucos fluindo
Wings twitch, legs are going
Asas arrancadas, pernas se vão
Don't get sentimental
Não fique sentimental,
It always ends up drivel
Sempre acabará como um babaca

One day I'm going to grow wings
Um dia vão me crescer asas
A chemical reaction
Uma reação química
Hysterical and useless
Histérica e inútil

Let down and hanging around
Decepcionado e abandonado
Crushed like a bug in the ground
Esmagado como um inseto no chão
Let down and hanging around
Decepcionado e abandonado

You know, you know where you are with
Você sabe, você sabe onde você está com
Floor collapsing, floating, bouncing back
Pisos quebrados e instáveis fortificando-se de volta

A seguir, Karma Police

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Radiohead: Exit Music (For A Film)

Nesta canção o Radiohead diz o quão é difícil permanecer ileso num mundo que te pressiona tanto. Metaforicamente, na letra temos uma pessoa tentando fazer com que outra continue respirando, que não se entregue e que pare de chorar, pois ela mesma não conseguirá resistir sozinha e precisa de sua companhia para continuar lutando. A idéia, então, é fugir deste universo. Porém, no fim, eles acabam falecendo antes de realizar a fuga, pois enquanto tentam respirar neste mundo tão denso, tudo começa a ficar frio. Eis o fim.

A morte dos dois chega como algo inevitável e engraçado aos olhos daqueles que comandam todo o sistema, afinal é o fim de mais alguns que tentaram se opor a uma força extremamente cruel e indestrutível. No final uma maldição é lançada: agora somos um e esperamos que vocês sufoquem.

Esta, sem dúvida, é a música mais triste e melancólica de todo o albúm, seja porque ela é embalada por um ritmo lento e melódico, seja por sua letra que envolve diretamente a morte de dois seres que tentaram a todo custo resistir e não conseguiram, de modo que foram sufocados por tanta pressão. Temos a indicação de que o sistema é impenetrável, e todos aqueles que tentam combatê-los, acabam neutralizados. Se antigamente estes combatentes eram assassinados, como Che Guevara, Zapata, Zumbi dos Palmares, e tantos outros, hoje simplesmente são abafados pela mídia que não os deixam falar.

Vídeo-clip Oficial de Exit Music (For A Film)

O belíssimo vídeo clip revisita o clássico Romeu e Julieta de Willian Shakespeare, onde dois jovens, devido aos seus meios, são pressionados a não ficarem juntos, graças a rivalidade entre suas famílias. Logo, eles vão se deteriorando de modo que não podem mais viver neste mundo sem o outro e acabam por se suicidarem. No ano seguinte, sai o filme Romeo + Juliet, do diretor Baz Luhrmann, e a trilha sonora oficial é encabeçada por Exit Music (For A Film).

Wake... from your sleep, the drying of your tears
Acorde de seu sono, o secamento das suas lágrimas,
Today.. we escape, we escape.
Hoje nós vamos fugir, nós vamos fugir.

Pack and get dressed
Faça sua mala e vista-se
Before your father hears us
Antes que seu pai nos ouça,
Before.. all hell.. breaks loose.
Antes que todos o inferno desabe

Breathe... keep breathing
Respire, continue respirando,
Don't lose.. your nerve.
Não perca o controle.
Breathe... keep breathing
Respire, continue respirando,
I can't do this.. alone.
Eu não posso fazer isso sozinho.

Sing us a song a song to keep us warm
Cante para nós, uma canção que nos mantenha aquecidos,
There's such a chill such a chill.
Está tão frio, tão arrepiante.

You can laugh a spineless laugh
E você pode gargalhar uma risada covarde,
We hope your rules and wisdom choke you
Esperamos que suas regras e sabedoria sufoquem vocês.
Now we are one in everlasting peace
E agora somos um numa paz eterna

We hope that you choke.. that you choke
Esperamos que vocês sufoquem, que vocês sufoquem,
We hope that you choke.. that you choke
Esperamos que vocês sufoquem, que vocês sufoquem,
We hope that you choke.. that you choke
Esperamos que vocês sufoquem, que vocês sufoquem,

A seguir, Let Down.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Radiohead: Subterranean Homesick Alien

Este título - possivelmente uma homenagem a música Subterranean Homesick Blues de Bob Dylan - faz alusão a uma espécie de alienígena que se sente muito triste por estar bem longe de sua terra. Na verdade, isto serve para ilustrar que o protagonista, embora resida nestas terras, não se sente como parte do meio. Isto fará com que ele se torne semelhante à um estrangeiro em suas próprias terras.

Esta melancolia vem destes dias, onde as pessoas são cada vez mais frias e desligadas de sua realidade. A própria sociedade urbana perde inúmeras características naturais, como o ar puro, o verde, os vales e se torna puramente artificial. São construções colocadas onde antes havia apenas a natureza.


Subterranean Homesick Alien ao vivo para a televisão

Esta sociedade é a mesma que se tranca dentro de suas casas e dentro desta fortaleza criam todo o entretenimento necessária para viver uma vida distraída, pacata e longe de complicações. Quanto mais fácil e mais cômodo, melhor. As pessoas acabam trancafiadas dentro de todos estes luxos e almas estão aprisionadas dentro do corpo alienado. Estão todos tensos. Sim, pois as pessoas apenas enxergam sua própria vida e não conseguem vislumbrar o próximo.

O protagonista até gostaria de apresentar o mundo como ele acha que deveria ser, ou da forma como ele enxerga as coisas, mas sabe que ao expôr tudo aquilo que pensa irá ser tachado como um pessoa louco e sem razão. Isto ocorre porque estas pessoas não estão preparadas para aceitar outras alternativas de vida ou de raciocínio. Talvez porque hoje queremos explicar tudo, o mundo está resolvido, não há mais segredos e sobra apenas o egoísmo.

The breath of the morning
A fragrância da manhã
I keep forgetting
Eu continuo esquecendo
The smell of the warm summer air
O odor do ar quente de verão

I live in a town where you can't smell a thing
Vivo em uma cidade onde não se pode cheirar nada
You watch your feet for cracks in the pavement
Você observa seus pés pelas fendas da calçada

Up above, aliens hover
Bem a cima, aliens pairando
Making home movies for the folks back home
Fazendo filmes caseiros para suas famílias em casa

Of all these weird creatures who lock up their spirits
Sobre todas essas criaturas estranhas que trancam seus espíritos,
Drill holes in themselves And live for their secrets
Perfuram buracos em si mesmos e vivem para seus segredos

They're all uptight
Eles estão todos tensos,
Uptight.. (x7)
Tensos.. (x7)

I wish that they'd swoop down in a country lane
Eu gostaria que eles descessem em meu caminho
Late at night when I'm driving
Tarde da noite quando estou dirigindo
Take me on board their beautiful ship
Embarcassem-me em sua linda nave
Show me the world as I'd love to see it
E me mostrassem o mundo como eu gostaria de vê-lo

I'd tell all my friends but they'd never believe
Contaria a todos os meus amigos mas eles nunca acreditariam em mim
They'd think that I'd finally lost it completely
Pensariam que eu finalmente enloqueci completamente

I'd show them the stars and the meaning of life
Eu mostraria-lhes as estrelas e o sentido da vida
They'd shut me away
Eles me trancafiariam longe
But I'd be all right
Mas eu estaria bem
All right..
Tudo bem..

A seguir, Exit Music (For A Film).

domingo, 27 de julho de 2008

Radiohead: Paranoid Android

Paranoid Android, particulamente, é uma das melhores músicas de todos os tempos. Sua melodia é belíssima, com muitas variações que te jogam para cima e para baixo, a voz de Thom Yorke alterna em momentos extremamente melódicos e outros que é quase como uma gritaria desesperada. Enfim, é uma daquelas canções para escutar por infinitas vezes em repetição e a cada audição descobrir novos detalhes para montar o quebra-cabeça.

O título é uma referência ao Marvin - The Paranoid Android, lendário personagem do livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adams. Apenas para fazer um breve comentário a respeito disto, Marvin é uma espécie de robô deprimido, que está sempre a críticar a sua própria existência, isto porque ele foi construído a partir de uma tecnologia que permite que uma máquina tenha consciência humada.

Douglas Adams foi um dos grandes críticos de nossa sociedade tecnológica atual, escrevendo diversos livros com muito humor e irreverência acerca dos perigos que ronda o nosso atual estilo de vida. Enfim, realizada a introdução, vamos à análise!

Esta não é uma letra muito simples de ser analisada e devemos contextualizar com o restante da obra. Está claro que existem alguns versos soltos, como uma espécie de lamento, outras vezes como uma espécie de grito necessário como tentativa para se fazer ouvir, as vezes é apenas a reflexão da própria alma ao olhar para uma sociedade onde ninguém nos reconhece e não reconhecemos mais ninguém.

"Por favor, você poderia para com o barulho? Estou tentando descansar de todas as vozes de galinhas não nascidas em minha cabeça". Logo nos primeiros dizeres, este "barulho" é uma sugestão às máquinas que estão por toda a parte. São sons de buzinas, de caminhões, de britadeiras, de fábricas, liquidificadores domésticos, rádios, televisões, e todo o tipo de apetrecho eletrônico. Fica evidente que o interlocutor solicita "desligar o botão do progresso" para que ele mesmo não entre em um estado de loucura permanente. Para si, é difícil não ficar incomodado com tanta intromissão tecnológica onde tudo é desvelado. Por se incomodar, ele é julgado, afinal são tantas facilidades que só um louco pode não aceitá-las de bom grado, de forma que ele diz "Eu posso ser paranóico, mas não um andróide".

Video-Clip Oficial de Paranoid Android

Este andróide é a transformação do homem em máquina. Isto está cada vez mais claro de perceber em nossa sociedade contemporânea. As vezes olhamos nas ruas e vemos pessoas conectadas diretamente ao seu celular com um apetrecho na orelha e com um notebook debaixo do braço, de tal modo que lembram mesmo alguns personagens criados como ciborgues na literatura e no cinema. Antes, o que era ficção já é quase uma realidade. Tecnologias como wireless e bluetooth deixam cada pessoa conectada simultaneamente com o resto do mundo.

Na sequência, o protagonista afirma que as opiniões das pessoas não servem de nada. Eu vejo isto como um protesto em letras enormes grafadas o seguinte: não estamos evoluindo. Nada deste cientificismo e revolução tecnológica serve para avançar a nossa sociedade, que está calcada em valores morais e seus problemas residem na psiquê e não somente em seu habitat social. Por isto mesmo explicar as coisas através do racional se torna uma tarefa impossível de ser realizada. Portanto, não devemos mais calcular números e nos basear em estatística, pois isto distancia cada vez mais o homem de si mesmo.

Veja que o final da letra se dá com uma despedida. É o fim do homem como o conhecemos. A música termina com cerca melancolia. Que caia a chuva do local mais alto possível em minha cabeça, para que eu esfrie e assim possa aceitar que há coisas que eu não posso mudar. Neste caso, só resta o lamento e a despedida de si mesmo para que possamos nos enquadrar numa vida que não nos pertence.


Please could you stop the noise, I'm trying to get some rest
Por favor, você poderia parar com o barulho, estou tentando descansar
From all the unborn chicken voices in my head
De todas as vozes de galinhas não nascidas em minha cabeça
What's there...? (I may be paranoid, but not an android)
O que é isso? (Eu posso ser paranóico, mas não um andróide)
What's there...? (I may be paranoid, but not an android)
O que é isso? (Eu posso ser paranóico, mas não um andróide)

When I am king, you will be first against the wall
Quando eu for rei você será o primeiro contra a parede
with your opinion which is of no consequence at all
Com suas opiniões que não servem para absolutamente nada
What's there...? (I may be paranoid, but no android)
O que é isso? (Eu posso ser paranóico, mas não um andróide)
What's there...? (I may be paranoid, but no android)
O que é isso? (Eu posso ser paranóico, mas não um andróide)

Ambition makes you look pretty ugly
Ambição te faz paracer muito feio
Kicking, squealing gucci little piggy
Esperneante esgoelante porquinho da Gucci
You don't remember, you don't remember
Você não se lembra, você não se lembra
Why don't you remember my name?
Por que você não se lembra do meu nome?
Off with his head, man, off with his head, man
Cortem sua cabeça, cortem sua cabeça!
Why don't you remember my name?
Por que ele não recordaria o meu nome?
I guess he does...
Suponho que o faça...

Rain down, rain down
Chova, Chova
Come on rain down on me
Vamos, chova sobre mim
From a great height, from a great height...
De uma grande altura, de uma grande altura...

That's it sir
É isto senhor
You're leaving
Você está partindo
The crackle of pigskin
O estalo da pele de porco
The dust and the screaming
A poeira e a gritaria
The yuppies networking
Os yuppies trabalhando
The panic, the vomit
O pânico, O vômito
God loves his children, God loves his children, yeah!
Deus ama seus filhos, Deus ama seus filhos!

A seguir, Subterranean Homesick Alien

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Radiohead: Airbag

O interlocutor relata um acidente de carro onde graças a um airbag ele pode sobreviver. Tamanha é sua fascinação diante do ocorrido, que neste renascimento ele promete a si mesmo que irá dedicar sua vida a salvar os outros: a salvação virá através da divulgação de novas tecnologias de segurança, que certamente poderá salvar vidas, assim como ele foi salvo.

Ironicamente, é graças a todos estes avanços sistematizados que corremos o risco de perder a vida. Veja que o interlocutor está dentro de um carro, onde num cruzamento ele foi atingido por um caminhão que ultrapassou o sinal vermelho e, se não fosse o airbag de seu veículo provavelmente ele estaria morto. É a típica cena que na sociedade mais antiga seria impossível de descrever. Carro? Semáforo? Caminhão? Airbag? São palavras que são ditas apenas de poucos anos para cá, e nos tornamos tão dependentes que não nos espantamos com tais inventos, de tal modo que não conseguimos imaginar como seria a vida sem estes apetrechos.

Isto demonstra o quanto estamos alienados a nossa própria época e ao nosso próprio invento. Este condicionamento a esta nova "realidade" é tão grande que o protagonista agradece a tecnologia por salvá-la da própria tecnologia! É como se um robô lhe arremessasse do 10º andar de um prédio e conseguisse lhe salvar antes de tocar o solo. O que fica é a última impressão, que é a ciência tecnológica como uma espécie de novo Deus que trará a salvação para todos os problemas.

Video do Radiohead tocando Airbag ao vivo em 1997, na Holanda

O interlocutor, enganado por seu próprio meio, diz "Ufa! Se não fosse estas novas invenções eu estaria morto! Todo mundo tem que ter um airbag no carro, não importa o preço, temos que pagar! Vou convencer a todos os conhecidos que adquiram este acessório!". Podemos entrar numa outra questão: o airbag é um item de segurança que pode lhe salvar de uma fatalidade, sendo assim, todos os veículos deveriam ter de fábrica, de tal modo que nenhum veículo poderia sair às ruas sem airbag. Isto não acontece justamente porque a idéia é justamente controlar e lucrar, pois esta é a sociedade do consumo e até o essencial deve ser comercializado.

Perceba que após determinado trecho da música, uma ruideira exorbitante toma conta da canção, como que para direcionar os ouvintes para este novo portal onde até mesmo a arte é tecnologia pura.

In the next world war
Na próxima Guerra Mundial
In a jackknifed juggernaut
Em uma curva fechada de um caminhão
I am born again
Eu nasço de novo

In the neon sign
Em um sinaleiro de neon
Scrolling up and down
Correndo para cima e para baixo
I am born again
Eu nasço de novo

In an interstellar burst
Numa explosão interestelar
I am back to save the universe
Eu estou de volta para salvar o universo

In a deep deep sleep of the innocent
No profundo sono da inocência
I am born again
Eu nasço de novo

In a fast german car
Num carro alemão veloz
I'm amazed that I survived
Estou impressionado por ter sobrevivido
An airbag saved my life
Um airbag salvou minha vida

In an interstellar burst
Numa explosão interestelar
I am back to save the universe
Eu estou de volta para salvar o universo

A seguir, Paranoid Android.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Radiohead: OK Computer

Eu gostaria de ter escrito este post há algum tempo atrás, porém sempre fiquei por esperar o melhor momento para escrever com todo o cuidado e atenção que o assunto merece, porém no meio de toda esta loucura a qual estamos presentes, neste mundo acelerado, são raros os momentos prolongados de extrema calmaria. Portanto decido iniciar esta série de 12 análises - além deste post - onde cada análise representa uma música do principal álbum lançado nos últimos anos: se trata de O.K. Computer do Radiohead.

Esta álbum representa muitas coisas e muitas possibilidades de reflexão ao compararmos suas melodias com o nosso tempo. Ele não é somente apocalíptico e profético porque não trata somente do amanhã, ao contrário, retrata a nossa sociedade nos dias de hoje. É como se o universo idealizado por Huxley em "Admirável Mundo Novo" tivesse se tornado realidade. Nas composições deste álbum nós temos a oportunidade de refletirmos acerca de quanto realmente evoluímos ou se entramos em ruptura com a própria realidade.

E não é somente nas letras que o álbum do Radiohead faz uma crítica a sociedade contemporânea, porém na própria arte, no título e nas melodias, que estão repletas de experiências eletrônicas e ruídos enigmáticos como forma de ambientação para conectar o ouvinte ao contexto das próprias canções.

A crítica gira em torno do quão distante está o homem de si mesmo e da sociedade, graças aos avanços tecnológicos e aparente evolução-revolução da informação. Finalmente a ciência tem a oportunidade de mostrar todo o seu potencial, como uma espécie de heroína de nossos tempos, porém perceba hoje como está a nossa vida dominada por tanta tecnologia, eletrônicos e robôs. Estas facilidades deixam o homem cada mais solitário e não-sociável, onde tudo está em âmbito virtual.



De certa maneira, a tecnologia serve ao propósito da domesticação do homem, e o apego a este mundo é próprio das mentes covardes que não conseguem se aquietar e resolver os seus próprios conflitos e combater os seus demônios. É preciso que haja um ponto de distração para que assim os homens possam esquecer suas angústias e entrar em processo de coma induzido, visto que ao se perder de si mesmo ele entra num estado de inconsciência diante do seu universo.

Perceba que a própria capa do disco retrata uma sociedade semelhante a nossa, porém perceba que está tudo meio desfocado, como para reforçar a idéia de um local distante, onde as coisas acontecem num ritmo desenfreado, ainda que melancólico. O próprio título destaca: "OK, computador, você venceu", o que caracteriza o pessimismo do grupo em relação aos nossos dias.

A influência deste álbum é tão grande que para comemorar os 10 anos de lançamento do OK Computer, diversos grupos regravaram o disco e disponibilizaram as faixas em mp3 gratuitamente para download, numa iniciativa brilhante, tanto na forma de distribuição quanto na forma de homenagem.

Portanto, OK Computer é uma viagem psicodélica em nossa própria sociedade, onde através de canções somos colocados lá no alto e nos espantamos ao vislumbrar a realidade através do mundo exterior. Ao acabar, somos despertados e uma melancolia toma conta de nós por reconhecermos que este é o próprio universo a qual vivemos.

A seguir, Airbag.